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Correio da Manhã

Portugal

Nível de ozono pode matar 500 portugueses por ano

Os níveis de ozono ao nível do solo apresentaram-se além do limite aceitável em 328 ocasiões só durante o mês de Agosto. Em igual período do ano passado verificaram-se apenas 11 excedências. Necessário nas camadas superiores da atmosfera, onde filtra os raios ultravioletas nocivos, o ozono troposférico, junto ao solo, pode provocar anualmente 500 mortes prematuras em Portugal.
29 de Agosto de 2005 às 00:00
Em 19 dias de Agosto registaram-se episódios de excedência de ozono ao nível do solo
Em 19 dias de Agosto registaram-se episódios de excedência de ozono ao nível do solo FOTO: Pedro Catarino
Os dados sobre a mortalidade associada a este poluente são avançados pela associação ambientalista Quercus com base em estimativas do Instituto Internacional para a Análise Aplicada de Sistemas, na Áustria, pois em Portugal não existem estudos sobre os efeitos da poluição atmosférica sobre a saúde humana.
Entre os concelhos com registo de maior número de excedências durante o mês de Agosto contam-se os da Grande Lisboa e do Grande Porto, bem como Braga, Leiria, Santiago do Cacém e Setúbal. Foi contudo em Estarreja que se verificou a concentração mais elevada: 333 microgramas de ozono por metro cúbico de ar no passado dia 5, mais do dobro do limite de alerta, 180 microgramas.
TEMPERATURAS DE RISCO
O ozono é um poluente secundário que se forma pela conjugação de radiações solares e elevadas temperaturas a partir da poluição, nomeadamente óxidos de azoto e monóxido de carbono, resultante da actividade industrial, do trânsito nas grandes cidades e também associada aos incêndios florestais. Em Agosto bateram-se recordes de temperatura, o que ajuda a explicar o número brutal de excedências ao limite que justifica a informação ao público. Ter-se ultrapassado – muitas vezes mais do que duplicado – o limite de 180 microgramas não resulta todavia em qualquer acção concreta. O Instituto do Ambiente limita-se a disponibilizar informação, depois das 18h00, sobre as excedências registadas nesse dia.
Os ambientalistas, como Hélder Spínola, presidente da Quercus, defendem a adopção de medidas que passam “pela redução do tráfego automóvel nos dias mais propícios a uma maior concentração de ozono”. O director dos Serviços de Pneumologia dos Hospitais da Universidade de Coimbra e presidente da Sociedade Portuguesa de Pneumologia, António Segorbe Luís, é da mesma opinião.
O QUE FAZER
NO TRÂNSITO
Em casos de poluição por ozono, o uso do automóvel deve ser limitado ao estritamente necessário. Mais do que nunca recomenda-se aos automobilistas que pratiquem uma condução suave e desliguem o motor do veículo em paragens prolongadas. Devem abastecer ao fim da tarde e evitar derramar combustível quando o fazem.
EM CASA
No local de trabalho ou em casa devem evitar-se as pinturas e limpezas com produtos contendo solventes, dado o papel fundamental que estas substâncias desempenham na formação do ozono troposférico, e nunca vertê-los no solo ou em esgotos. O melhor é utilizar tintas e vernizes de base aquosa e produtos de limpeza sem solventes.
MAIOR RISCO
As pessoas mais sensíveis (idosos, crianças e/ou com problemas respiratórios) devem evitar inalar uma grande quantidade de ar poluído, especialmente durante o período mais quente. Por isso, a actividade física ao ar livre deve ser reduzida ao mínimo. É de evitar o fumo do tabaco, que pode agravar os efeitos da exposição ao ozono.
LÁ EM CIMA O BURACO É MAIOR: 25 MILHÕES DE KM2
A Organização Meteorológica Mundial anunciou esta semana que o buraco na camada de ozono é maior do que no mesmo período do ano passado. Numa faixa situada entre 15 e 30 quilómetros de altitude sobre a Antárctida, o buraco atingiu aos 25 milhões de quilómetros quadrados.
"O TRÂNSITO DEVIA SER ATENUADO" (António Segorbe Luís, presidente da Sociedade Portuguesa de Pneumologia)
Correio da Manhã – Qual o efeito do ozono sobre a saúde humana?
António Segorbe Luís – Quando ultrapassa o limite, o ozono origina uma agressão oxidativa das vias respiratórias. Prejudica sobretudo os asmáticos, que podem ver a sua condição agravada, e as pessoas com doença pulmonar obstrutiva.
– O ozono provoca 500 mortes prematuras por ano?
– Em Portugal não há estudos. Posso dizer-lhe que há 500 mil asmáticos e outros tantos com doença pulmonar obstrutiva.
– O que pode fazer-se?
– Penso que seria pertinente haver atenuação do trânsito nos pontos mais problemáticos.
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