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Correio da Manhã

Portugal
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No Name sem castigo por fogo em autocarro

Caturna estava condenado por incendiar veículo dos Super Dragões.
6 de Abril de 2011 às 00:30
Autocarro que transportou os Super Dragões a Lisboa, em 21 de Junho de 2008, foi totalmente destruído
Autocarro que transportou os Super Dragões a Lisboa, em 21 de Junho de 2008, foi totalmente destruído FOTO: João Cortesão

As cinco escutas ao telemóvel de Hugo Caturna, pouco antes de um autocarro de adeptos do FC Porto ter sido "pasto das chamas" ao lado do Estádio da Luz, não deixaram dúvidas ao juiz Renato Barroso. "O autocarro vai ao ar hoje"; "isto é regar pneus"; "tá ali, é roxo [autocarro]..."; "ainda só acertei a tampa disto, a do garrafão"; "era pôr já tudo a arder"; são frases gritadas por telefone a amigos, na tarde de 21 de Junho de 2008, que levaram a oito anos de cadeia. Agora, o Tribunal da Relação libertou o membro dos No Name Boys por "falta de provas".

Caturna estava em escuta como outros cúmplices – acabaram detidos 37 membros da claque do Benfica por vários crimes. É um dos 29 condenados em primeira instância, porque, no caso em que foi incendiado o autocarro dos Super Dragões, antes de um jogo de hóquei, o juiz concluiu que "poucas vezes se esteve perante escutas tão concludentes de que o arguido dirigiu a operação criminosa".

Agora, a Relação só conclui que "há uma razoável probabilidade" de Caturna "ter desempenhado um papel" no incêndio. Fica só provada a "intenção genérica" – apesar de referências à "garrafa, ao cheiro [combustível] e à tampa".

ABSOLVIDO POR UM DOS CRIMES MAIS GRAVES

Os 37 elementos dos No Name Boys foram detidos em 2008 na operação ‘Fair Play’, por associação criminosa, tráfico de droga, incêndio (Hugo Caturna), roubo, dano ou ofensas à integridade física. Acusados pela Unidade Especial de Combate ao Crime Violento do DIAP, conheceram a sentença a 28 de Maio do ano passado – depois de julgados na 5ª Vara Criminal de Lisboa, presidida pelo juiz Renato Barroso: 13 penas efectivas, 16 suspensas e oito absolvições. Só a associação criminosa ficou por provar. Caturna estava já a cumprir oito anos e meio por um dos crimes mais graves, mas a Relação absolveu-o agora: "Indubitavelmente ele esteve nas proximidades do local onde foi chegado fogo ao autocarro e manifestou propósito de lhe causar estragos, ainda que não a intenção específica de incendiar".

ONZE JULGADOS PELA VIOLÊNCIA ANTES DO BENFICA - FC PORTO

Onze dos 13 detidos pela PSP junto do Estádio da Luz no domingo, antes do Benfica-FC Porto, vão ser julgados sumariamente no Tribunal de Pequena Instância Criminal, no Campus de Justiça, em Lisboa, nos dia 12 e 13. Para além dos detidos – entre eles sete por agressão e incitamento à violência, um por agressão a agente da PSP e dois por posse de artigos pirotécnicos – foram identificadas mais cinco pessoas pelos distúrbios. Recorde--se que quatro polícias ficaram feridos e duas viaturas foram danificadas. A PSP apreendeu tochas e petardos, bolas de golfe e cavilhas de ferro das obras. Além destes casos, há outros dois processos em que o Ministério Público propõe que os suspeitos sejam impedidos de entrar em estádios seis meses.

 

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