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Correio da Manhã

Portugal
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NORTE TRAZ PORTAGENS INJUSTAS À CAPITAL

Uma mão-cheia de nada. Foi o que levaram, de regresso às freguesias dos concelhos de Gaia, Espinho e Feira, mais de cem pessoas, que ontem à tarde se manifestaram, frente ao Ministério das Obras Públicas, em Lisboa, contra as portagens entre Nogueira da Regedoura e Grijó, Espinho e Gaia.
5 de Fevereiro de 2003 às 00:00
“Nada, levamos nada”, resumiu o presidente da Junta de Freguesia de Nogueira da Regedoura, Henrique Ferreira, no final da audiência com os adjuntos do secretário de Estado e do ministro. A falta de resposta “justifica” o buzinão, marcado para o próximo dia 14, entre Santa Maria da Feira e Carvalhos.

O protesto reuniu onze localidades: Grijó, Nogueira da Regedoura, Argoncilhe, S. Paio de Oleiros, Anta, Guetim, Espinho, Silvalde, Paramos, Mozelos e Santa Maria de Lamas, estas juntas de freguesia eleitas pelo PSD, representadas por alguém que não o presidente, por motivos de participação em assembleia municipal.

Os manifestantes, a grande maioria idosos – uma senhora de lenço pela cabeça, alguns homens de boné ou chapéu –, gritaram: “Não às portagens”, na ligação do futuro nó do IC24 com as portagens Grijó/Carvalhos.

Integrado na manifestação, Júlio Sousa explicou ao CM por que motivo veio de Nogueira da Regedoura até Lisboa: “Fazem um nó para facilitar o acesso à cidade de Espinho e à zona Norte da Feira e agora, por 600 metros de estrada, vamos pagar pelo menos 45 cêntimos. Não é justo!” A tais explicações Henrique Ferreira acrescentou o facto de a sua freguesia se situar “numa área metropolitana e não existir alternativa, já que o IC1 está em obras”.

DESILUSÃO

Os populares exibiam faixas com os dizeres “não ao pagamento injusto de portagens” quando quatro autarcas foram recebidos – juntamente com Aristides Teixeira, da Associação Democrática de Utentes da Ponte 25 de Abril –, durante cerca de meia hora, por Carlos Silva, adjunto do ministro, e Margarida Loureiro, do secretário de Estado. Saíram agastados.

“Após tantos ofícios sem resposta, tantos faxes, limitaram-se a ouvir--nos. Nada nos disseram. Quem nos recebeu mostrou-se muito simpático, mas não foi simpatia que viemos reivindicar. Queremos chegar à fala com o senhor ministro. Rapidamente”, anunciou Henrique Ferreira aos manifestantes, que depois fizeram o caminho de regresso ao Caldas – onde ficaram à espera de autocarro que os levasse a casa –, decepcionados, mas dispostos a buzinar no dia 14.
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