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Correio da Manhã

Portugal
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“Nós, vítimas, vivemos em terrorismo familiar”

Jovem pintora resistiu à tortura a que foi sujeita, dá a cara e expõe obras como forma de alerta.
Henrique Machado 27 de Novembro de 2017 às 09:16
Francisca de Magalhães Barros
Violência Doméstica
Violência
Francisca de Magalhães Barros
Violência Doméstica
Violência
Francisca de Magalhães Barros
Violência Doméstica
Violência
Agredida e perseguida durante e já depois do casamento, vítima de obsessão intensificada quando se separou, em 2015, a jovem pintora Francisca de Magalhães Barros, 27 anos, sentiu ainda muito nova na pele o drama da violência doméstica – que este ano já matou 18 mulheres (dados da UMAR).

Francisca resistiu, denunciou – tem a correr vários processos no Tribunal de Cascais – e dá a cara, agora que está a expor, no Casino Estoril, duas obras que visam alertar para o flagelo. Só ainda não fala do seu caso, "por respeito à Justiça".

CM – Qual é o significado do nome ‘As Mulheres da Revolução’ para estas obras?
Francisca de Magalhães Barros – Deve-se ao facto de ser preciso uma revolução doméstica, não uma simples mudança. Nós, vítimas, lidamos com terrorismo familiar. Tem de existir um colapso do estado familiar atual para uma revolução ao nível penal e da forma de lidar com o fenómeno.

- Que mensagem é que pretende passar com estas obras?
– A mensagem que pretendo passar através das minhas obras é que, seja de que forma for, as mulheres têm de expor e falar sobre este assunto. Porque os alertas ainda não são suficientes, infelizmente.

- A arte foi a forma que encontrou de contribuir para a luta contra um flagelo de que também foi vítima?
– Sim, comecei a pintar muito nova e, devido às constantes perseguições, tive de deixar de trabalhar noutra área, tendo encontrado uma forma de me expressar através da arte e de com ela contribuir para dar uma voz, para dar a cara e um nome a este crime. No fundo, para ajudar outras mulheres.

- As estatísticas dizem que as mortes por violência doméstica diminuíram este ano, mas o número de casos não.
– Podemos criar estatísticas para a diminuição de uma doença, mas para a violência não existe uma estatística que justifique uma morte que seja às mãos de um agressor, ou uma agressão, portanto, devemos sorrir perante menos mortes mas com a continuação de violência sistemática? É absurdo. Não se trata apenas da morte física (se for o caso), mas de uma morte da alma ao longo de anos de abuso.

PERFIL 
Francisca de Magalhães Barros nasceu a 26 de fevereiro de 1990 (27 anos), em Lisboa, é divorciada e mãe de uma filha. Desde cedo ligada às artes, publicou o primeiro livro de poesia, ‘Ab.sinto’, em 2009 – escrito quando tinha 14 anos –, apresentado por Marcelo Rebelo de Sousa. Pintora, participou em várias exposições e, em associação com a APAV, doou um quadro que está na sede da mesma: ‘As mulheres e a liberdade’.
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