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Correio da Manhã

Portugal
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NOTAS NEGATIVAS LEVAM ADOLESCENTES A FUGIREM

Medo do insucesso escolar. É esta a principal motivação dos jovens que desaparecem e só voltam pela mão da polícia. No ano passado, só na área metropolitana de Lisboa, registaram-se 258 desaparecimentos, quarenta por cento dos quais foram jovens.
11 de Novembro de 2004 às 00:00
Por norma, na origem do desaparecimento não há crime”, afirmou ao CM Francisco Santos Silva, director do Departamento Central de Informação Criminal e Polícia Técnica (DCICPT) da PJ. Mas o que leva alguém a desaparecer?
As motivações estão relacionadas com as faixas etárias. No caso dos menores, a Brigada de Desaparecidos depara-se com duas situações: dos zero aos 14 anos e dos 14 aos 18.
Na primeira faixa etária destaca-se, em menor número, os sequestros na maternidade. Vencem as crises matrimoniais. “Existe uma ordem judicial quanto ao poder paternal que não é respeitada”, explicou Santos Silva ao CM.
Já dos 14 aos 18 anos a história é outra. No final do ano lectivo, o número de jovens desaparecidos aumenta. É que o insucesso escolar leva-os a temer represálias por parte dos progenitores. Há também aqueles que partem à aventura, ou ainda os que simplesmente não querem estar perto da família.
A internet trouxe uma nova motivação: curiosidade de conhecer o outro que tecla do lado de lá. No entanto o facto de os cibernautas se camuflarem em falsas identidades leva muitas vezes a mal entendidos. “São situações inocentes, um adulto não sabe que vai encontrar uma criança e não há intenção criminosa”, explicou.
Mas os números sobem ainda mais quando se fala de adultos. Sessenta por cento dos 258 casos registaram-se com maiores de 18 anos. Problemas mentais, que desorientam o desaparecido no regresso a casa, e problemas no seio familiar parecem ser as principais causas.
Já as questões financeiras servem de justificação à velha desculpa do “ir comprar tabaco” para não voltar. Há ainda aqueles casos do querer simplesmente desaparecer, embora sejam”menos frequentes”, explicou o director.
As pistas dos familiares são fundamentais para a investigação da PJ. Santos Silva lembra que só a falta de pistas mata uma investigação. Até lá só o desfecho mais trágico, como o homicídio, o poderá fazer.
Em termos estatísticos, 99 por cento dos casos têm um final feliz. Mas o restante um por cento continua a fazer chorar as famílias.
AS MOTIVAÇÕES
LILIANA
Liliana, 13 anos, desapareceu durante cinco dias da sua casa em Lisboa. Foi encontrada no passado dia 03 na Reboleira. Este ano fugiu três vezes, mas a razão foi só uma: não queria viver com a mãe.
MARTA
No dia 22 de Outubro, Marta, 13 anos, trocou a sua casa no Entroncamento por uma estadia em Lisboa, alegando querer seguir uma vida nova depois de alegados maltratos de um suposto namorado.
ESMÉNIO
Esménio, 71 anos, foi encontrado sábado no Cadaval, depois de ter saído da Santa Casa da Misericórdia e ter estado desaparecido durante três dias.
ALBERTO
Alberto Tavares desapareceu há cinco anos. No dia 13 de Maio o seu cadáver foi encontrado em São Pedro do Sul, Aveiro. Suspeita-se que tenha sido vítima de uma morte violenta
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