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Correio da Manhã

Portugal
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Nova arma contra o cancro

Os doentes de cancro da próstata – que se estima serem 130 mil portugueses, com 4000 novos casos e uma média de 1800 mortes a cada ano – dispõem de uma nova ‘arma’ no combate a esse cancro. Trata-se de uma técnica aperfeiçoada da braquiterapia, que garante um tratamento mais eficaz.
27 de Abril de 2007 às 13:00
Nova técnica cirúrgica leva a que tratamento incida só no tumor
Nova técnica cirúrgica leva a que tratamento incida só no tumor FOTO: António Rilo
Para revelar a técnica inovadora, realizam-se hoje duas intervenções cirúrgicas no British Hospital, em Lisboa, que serão acompanhadas em directo por 12 especialistas europeus e norte-americanos, em videoconferência, a partir de um hotel da capital.
Apesar daquele tipo de tratamento contra o cancro da próstata – a braquiterapia – existir há cinco anos, beneficia agora de um aperfeiçoamento que o torna mais eficaz. O médico urologista, Campos Pinheiro, que vai divulgar a técnica pela primeira vez em Portugal, desvendou ao CM em que consiste: “Trata--se de três diferenças face à anterior prática que resultam num tratamento mais eficaz. Em primeiro lugar, as sementes radioactivas passam a estar interligadas entre si e não separadas, através de um componente que se biodegrada ao fim de seis meses e não ao fim de quatro semanas. O segundo aspecto é que há uma maior flexibilidade na colocação, permitindo ao médico escolher a melhor e, por último, as sementes são impedidas de se deslocarem para outros órgãos.”
A migração de algumas sementes radioactivas – uma ou duas das 80 colocadas pelos médicos – pode ocorrer devido à proximidade da corrente sanguínea, o que reduz a eficácia do tratamento.
As sementes são colocadas para incidir exclusivamente no tumor, por forma a destruir as células cancerosas e sem afectar as células sãs do organismo.
Campos Pinheiro lembra que esta técnica é pouco invasiva, sendo, portanto, menos dolorosa e com menos efeitos secundários ou complicações clínicas. Além disso é a que preserva melhor a vida sexual do doente, enquanto a cirurgia pode causar impotência, dependendo da perícia do cirurgião. Além da cirurgia e radioterapia existem tratamentos recentes com ultra-sons de alta intensidade (HIFU) e através do frio (criocirurgia).
Os urologistas do British Hospital trataram 450 doentes através da braquiterapia nos últimos cinco anos. Cada tratamento custa ali 15 mil euros. Como a braquiterapia é muito cara, poucos hospitais públicos com Urologia a fazem – Hospital S. José (Lisboa) e IPO (Porto). Dois outros privados: Clínica Santo António (Reboleira) e CUF Descobertas (Lisboa).
APONTAMENTOS
BRAQUITERAPIA
Trata-se de um tratamento pouco invasivo em que os médicos inserem sementes radioactivas no doente para eliminar células cancerosas. O aperfeiçoamento da técnica que será demonstrado hoje permite que o tratamento poupe as células sãs do organismo.
ANÁLISE PARA EVITAR
Os urologistas aconselham os homens a partir dos 50 anos a fazer uma análise, designada por PSA, para a detecção precoce do cancro da próstata. Os antecedentes familiares tornam o exame mais relevante.
DOENÇA SILENCIOSA
Cerca de dez por cento dos doentes sobrevive dez anos ou mais após o diagnóstico. Por ser uma doença com poucos sintomas, outros dez por cento morre seis meses depois. Daí a importância do rastreio.
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