Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal

Nova fraude a caminho

Se alguém lhe telefonar identificando-se como funcionário do Departamento de Segurança da Visa Internacional (a organização que gere o sistema de pagamento por cartão de crédito mais usado no mundo), e perguntar se comprou alguma coisa nos EUA, o melhor é desligar de imediato o telefone.
28 de Março de 2005 às 00:00
Caso contrário, corre o risco de se deixar levar pela conversa e dar dados que permitam que a sua conta bancária seja desfalcada em compras através da internet. Uma burla da qual ainda não há queixas em Portugal mas que já fez vítimas em todo o mundo.
A burla depende apenas das suas respostas. Alguém telefona e pergunta se comprou um aparelho nos Estados Unidos por 497,99 euros. Questão à qual irá certamente responder que não.
O funcionário, que se identificou com um número falso, coloca então a hipótese do seu cartão de crédito ter sido clonado. Avisa-o que, caso tal se confirme, será reembolsado pelo seguro. Mas, para isso, têm de verificar alguns dados.
O falso funcionário pede-lhe que confirme a morada. Depois solicita o número do seu cartão e dos três últimos algarismos (ou quatro, depende do cartão) que constam no verso. Já com o número na mão, o burlão diz que afinal o cartão não foi clonado. Realmente não foi.
Mas com o número que obteve, o criminoso pode fazer compras na internet. Desde que não excedam os 500 euros, para não ser detectado. Tudo a descontar na sua conta.
As autoridades também têm conhecimento do chamado ‘Golpe do Telefone’. Aqui a burla não está ligada à conta bancária, mas sim à factura telefónica.
O burlão contacta-o para o telefone fixo ou móvel, identificando-se como membro do Departamento Técnico. Sob pretexto de testar o aparelho, pergunta se o telefone tem marcação por tons. Confirmada a questão, solicita-lhe que marque 90#. “Não há problema com o seu telefone. Obrigada pela colaboração”, diz.
A partir daqui, todas as chamadas que este ‘funcionário’ fizer, são debitadas na sua conta. A sua linha acabou de ser clonada.
LAÇO LIBANÊS PREOCUPA PJ
Os métodos apresentados para extorquir dinheiro já são conhecidos pela PJ. No entanto ainda não existem denúncias de que tenham acontecido em Portugal. Quando se fala em burlas com cartões, o inspector-chefe da Secção de Investigação de Contrafacção de Cartões de Crédito, Raul Fuertes, alerta sim para o chamado método do ‘Laço Libanês’. “Tem acontecido em caixas multibanco e nas portas em que é necessário passar a banda magnética do cartão”, disse ao Correio da Manhã. Os burlões colocam um leitor de bandas falso, com o qual conseguem clonar o cartão. Depois basta uma mini-câmara ou alguém que finja estar a levantar dinheiro para obter o seu código ‘pin’.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)