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Correio da Manhã

Portugal
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Nova manhã submersa

Chuvas torrenciais levaram ontem o caos ao Barlavento algarvio, que viveu uma verdadeira “manhã submersa”. Lagoa e Portimão foram os concelhos mais afectados. A partir das 08h00, a água começou a entrar em várias habitações do Parchal (Lagoa).
22 de Dezembro de 2007 às 00:00
Uma mulher de 88 anos, Catarina Henrique foi salva por familiares e vizinhos quando a água já chegava ao colchão da cama onde dormia. Ao lado boiavam já roupas e muitos dos seus bens. Desalojada, encontra-se agora em casa da filha. “Se não me tivessem tirado de lá, não sei o que me teria acontecido, pois mal me consigo mexer”, disse ao CM, ainda mal refeita do susto.
Nas proximidades, a água invadiu uma antiga fábrica de peixe e destruiu 120 toneladas de sal ali armazenadas. Algumas galinhas morreram. “É tudo para deitar fora”, lamentou um dos sócios da firma, para quem o “desastre” aconteceu quando a água galgou o muro – “demasiado baixo” – de um canal ali construído pela autarquia.
Na Baixa de Ferragudo, o canal transbordou e inundou o Largo Rainha D. Leonor. “Quando chegámos ao nosso restaurante, às 08h00, a água já saía pelas sanitas e começou a entrar pela porta. Só tivemos tempo de desligar a electricidade e pôr algumas coisas a salvo”, referiram ao CM Marina e João Natal.
Na mesma praça, outros estabelecimentos também inundaram, em especial o snack-bar Chaminé que, situado num plano mais baixo, sofreu danos avultados. “É sempre assim. Quando chove, nem descansamos, com medo da água”, frisaram moradores da zona, que acusam a autarquia de “incompetência” por “não ter resolvido um problema recorrente”. Em Carvoeiro também se registaram inundações.
FARO FOI ATINGIDA À TARDE
A chuva só começou a cair com intensidade na capital algarvia ao início da tarde de ontem mas rapidamente provocou pequenas inundações um pouco por toda a cidade, sobretudo na Baixa. A água entrou no Tribunal de Faro. Devido ao mau tempo, a estrada entre o Largo de S. Francisco e o Instituto Português da Juventude chegou a estar intransitável. Na Ria Formosa, três embarcações de recreio soltaram-se e afundaram-se. O comandante Reis Ágoas, da Zona Marítima do Sul, apela aos proprietários de barcos que tenham atenção às condições de amarração dos mesmos, em dias como os de ontem. O temporal obrigou ao encerramento, por razões de segurança, das barras de Faro, Tavira e Vila Real de Santo António. No entanto, com o desagravamento das condições meteorológicas, previa-se que pudessem ser reabertas durante a noite.
INUNDAÇÕES EM PORTIMÃO
Em Portimão, a chuva entrou em algumas casas do Estrumal e o principal acesso à cidade, o Túnel das Cardosas, onde a água subiu até meio metro, voltou a encerrar ao trânsito. Um camião teve de ser removido do local. O mau tempo provocou problemas um pouco por todo o concelho: em Vale das Hortas e Valinhos, várias pessoas ficaram retidas em casa. “Isto é uma vergonha mas ninguém faz nada para pôr aqui saneamento”, disse Célia Gonçalves, que o CM encontrou a caminhar sobre um muro, ao lado da estrada transformada em riacho. A água também subiu na Baixa de Alvor. Na Mexilhoeira Grande, a ribeira do Farelo galgou margens e invadiu hortas e pomares, tendo ainda provocado aluimentos de terras sobre as estradas. O trânsito esteve condicionado na EN125, na zona da Penina. O Centro Distrital de Operações e Socorro registou 35 ocorrências no Barlavento, que envolveram 98 bombeiros, apoiados por 38 viaturas.
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