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Correio da Manhã

Portugal
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Novo bispo critica tempos modernos

O novo bispo do Porto, D. Manuel Clemente, criticou “a sensibilidade pós-moderna” que tem “dominado nos últimos trinta anos”, considerando na sua primeira intervenção pública que o actual “refúgio constante nas desconfianças e impressões é como escrever na água”.
26 de Março de 2007 às 00:00
D. Manuel Clemente acrescentou que agora “chamam pós-moderna à sensibilidade dominante nas últimas três décadas, caracterizam-na como sendo fruto das grandes decepções ideológicas e concentração no momentâneo e imediatamente gratificante”.
Falando durante a homilia da entrada na Sé do Porto, ontem à tarde, um dia após ter tomado posse numa cerimónia privada como bispo do Porto, D. Manuel Clemente teve direito a uma entusiástica recepção do povo portuense.
Sucessor de D. Armindo Lopes Coelho, a quem desejou uma boa recuperação da saúde, o novo bispo do Porto afirmou que o “tempo rarefeito” e que actualmente vivemos “é como o que vigorava entre os pagãos, ainda quando o Cristianismo nasceu: ‘Comamos e bebamos, que amanhã morreremos’”.
“Neste ambiente, o pensamento é débil, os valores são frágeis e as práticas inconsequentes”, destacou o religioso, para quem, “sem maniqueísmos, nós podemos reconhecer razões neste modo de sentir e estar, arredio e desconfiado dos grandes discursos e propaladas metanarrativas em que camuflaram desígnios obscuros e causadores de grandes males”. De acordo com D. Manuel Clemente, “Deus não desiste nunca de criar e recriar o Mundo”. Isto “quer nos corações quer na prática social; há muito que teríamos desistido se não fosse assim”, salientou. O novo prelado diz ter um “sentimento forte de veneração e respeito por tudo o que aconteceu na diocese de Porto”.
PERFIL
D. Manuel Clemente foi nomeado bispo do Porto em 22 de Fevereiro deste ano devido à doença que se abateu nos últimos meses sobre D. Armindo Lopes Coelho.
Para D. Manuel José Macário do Nascimento Clemente, de 58 anos, natural de Torres Vedras, este é o coroar de um percurso religioso e académico. A diocese do Porto foi unânime a aclamar o novo bispo.
Ordenado sacerdote a 29 de Junho de 1979, D. Manuel Clemente fora nomeado auxiliar do Patriarcado de Lisboa em 6 de Novembro de 1999, com o título de Pinhel. A 22 de Janeiro de 2000 foi ordenado bispo e passou a auxiliar de Lisboa. Exerceu funções no âmbito da Conferência Episcopal Portuguesa, da Pastoral da Cultura e Comissão Episcopal da Comunicação Social.
Licenciado em Teologia e História, ensinou na Universidade Católica.
PRELADOS E LEIGOS EM PESO
A entrada de D. Manuel Clemente na Sé Catedral do Porto, ontem à tarde, contou com a presença de muitos prelados de vários graus eclesiásticos, mas também de muitos leigos e representantes de movimentos da Igreja Católica, que fizeram questão de saudar o novo bispo do Porto num dia em que o bom tempo era convidativo.
Depois da hora do almoço, camionetas de fiéis, carros com padres e muitos anónimos a pé, subindo a Av. Vímara Peres, em direcção ao Terreiro da Sé, animavam um local que ao domingo está quase sempre deserto.
Às 15h00, uma hora antes do cortejo entre a Casa Episcopal e a Sé Catedral do Porto, já não cabia mais ninguém nesse templo. Os escuteiros procuravam disciplinar o acesso à Sé, mas tal era muito difícil.
NOTAS À MARGEM
VALENTIM PRESENTE
Valentim Loureiro foi um dos autarcas presentes na entrada de D. Manuel Clemente na Sé Catedral do Porto. O presidente da Câmara de Gondomar tem mantido bom relacionamento com o clero local e regional. Alfredo Henriques, edil de Santa Maria da Feira, também marcou presença.
MUITOS BISPOS
D. Manuel Clemente foi ontem acompanhado no cortejo pelos bispos portugueses. D. Jorge Ortiga, arcebispo de Braga e presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, foi um deles, tal como o seu antecessor, D. Eurico Nogueira. D. António Marto, bispo de Leiria-Fátima, foi dos primeiros a chegar. D. Januário Torgal Ferreira, bispo das Forças Armadas e que é um homem do Porto, esteve entre os mais saudados.
POSSSE PRIVADA
D. Manuel Clemente já tomara posse no sábado, com uma cerimónia privada no Colégio de Consultores. Tratou-se de um acto sobretudo burocrático.
SERVIDO UM JANTAR
Depois da cerimónia de entrada solene na Sé Catedral do Porto, com a sua primeira homilia, foi servido um jantar que reuniu os convidados do bispo do Porto.
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