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Correio da Manhã

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Novo desabamento preocupa vizinhos

O desabamento de mais uma parte da barreira onde morreram dois operários da construção civil, há duas semanas, em Leiria, está a preocupar os moradores, que vêem o ‘buraco’ cada vez mais próximo das suas habitações.
2 de Julho de 2007 às 00:00
A sucessão de aluimentos começa a deixar apreensivos os moradores dos prédios contíguos
A sucessão de aluimentos começa a deixar apreensivos os moradores dos prédios contíguos FOTO: Ricardo Graça
“Já tenho as paredes todas rachadas e agora ando sempre com medo de que a casa me caia em cima”, lamentou ontem Maria Jorge, de 57 anos. A mulher mora numa pequena casa junto à barreira onde têm ocorrido as derrocadas e confessa que não se sente segura.
No sábado à tarde, quando se verificou um novo deslizamento de terras, Maria Jorge sentiu disparar as pulsações. “Aquilo parecia um tremor de terra”, recordou.
Mesmo sem chover, uma parte da barreira cedeu, deixando a descoberto mais uma série de cabos eléctricos e da televisão por cabo. As estruturas em ferro e as cofragens que restavam após o aluimento que matou os dois trabalhadores, no dia 14 de Junho, ficaram agora totalmente enterrados.
Após o acidente mortal, as obras foram suspensas e a Câmara Municipal de Leiria ordenou a realização de estudos geotécnicos ao terreno.
A Rua Arnaldo Cardoso e Cunha foi encerrada ao trânsito e estava prevista a criação de dois patamares na barreira (com oito metros de altura) para prevenir a ocorrência de mais deslizamentos.
Como a terra voltou a desabar, os moradores do prédio contíguo ao local das obras manifestam-se apreensivos e queixam-se dos transtornos causados pelos sucessivos aluimentos – foi o terceiro em 2007.
“Tenho duas crianças pequenas e sou obrigado a deixar o carro distante do prédio, porque a rua está vedada e não posso passar para a garagem. O pior é que ninguém nos diz quando é que o problema está resolvido”, refere Fernando Fernandes.
A origem das derrocadas foi atribuída a um erro técnico, segundo Cunha Lopes, delegado municipal da Protecção Civil. A Inspecção-Geral do Trabalho está a investigar o caso.
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