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Correio da Manhã

Portugal
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Nunca é tarde para amar e realizar o sonho

A vida e o medo da solidão fizeram este casal redescobrir o amor vai para dez anos. António Jordão, depois de ficar viúvo, encontrou ao lado de Inácia Correia a companhia e o afecto. Em segredo, visto que alguns dos familiares se opunham à união, decidiram, perante Deus, formalizar religiosamente o seu sentimento.
21 de Janeiro de 2007 às 00:00
António Jordão e Inácia Correia já eram casados pelo civil desde Setembro. Namoraram dez anos
António Jordão e Inácia Correia já eram casados pelo civil desde Setembro. Namoraram dez anos FOTO: Pedro Galego
O noivo, reformado da função pública, natural de Ferreira do Alentejo, desenvolveu grande parte da sua carreira em Évora, onde era vizinho de Inácia. Ela era visita regular da casa onde António vivia com a primeira mulher. Cuidava do casal. Eram conhecidos e amigos há várias décadas.
Um dia, António teve de ir exercer funções para Beja. Ia por três meses, acabou por ficar 30 anos, até se reformar. Há cerca de 10 anos enviuvou.
Depois do período de luto decidiu ir buscar Inácia, que continuava a residir em Évora, onde toda a vida foi doméstica. Nasceu então uma união de facto.
Só a religiosidade de Inácia fez “formalizar” o amor de ambos. Um sentimento que, dizem, cresceu com os anos.
“Em toda a vida só pelos meus pais senti algo tão grande como sinto agora pelo meu marido”, diz a noiva.
Oriundos de famílias conservadoras, uma união de facto não era bem vista pelos parentes de ambos.
“Nunca é tarde para amar e realizar os nossos sonhos. Decidimos casar-nos pelo civil”, recorda António Jordão.
Também em segredo, tal como a cerimónia de ontem, desde Setembro último são considerados marido e mulher à face da Lei portuguesa. “Só faltava o consentimento de Deus. Então, mesmo sem ninguém saber, aqui estamos. Amanhã logo se verá”, disse António Jordão.
Ao meio-dia de ontem, em cerimónia presidida pelo padre António Cartagena, e onde apenas estiveram presentes os noivos, duas testemunhas, um acompanhante e o Correio da Manhã, o casal realizou o sonho de ver o seu amor reconhecido pela igreja católica.
"MEDIREMOS AS CONSEQUÊNCIAS DEPOIS"
Inácia Correia, de 82 anos, toda a vida foi solteira e não tem filhos, tal como António Jordão, que esteve casado mais de 50 anos até enviuvar. Ontem, no fim da cerimónia, visivelmente emocionada, a noiva confessava a felicidade que sentia.
“Quem me diria a mim que ia sair de Estremoz aos sete anos e vinha casar a Beja já com mais de 80!” Diz também que desejava ansiosamente a chegada deste dia, visto que, se não casasse, seria a única da sua família “sem a bênção sagrada do matrimónio”. Todos os seus familiares conhecem o amor de ambos mas, principalmente no início da relação, foram bastante criticados. “Dizem que já não temos idade para estas coisas. Mas isso pouco importa quando existe amor. Agora, venha quem vier, já está feito”, diz António Jordão, com a felicidade estampada no rosto.
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