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Correio da Manhã

Portugal
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"Nunca lhe bati, nem com flores": Suspeito de matar mulher a tiro diz que disparos foram acidentais

Arguido começou a ser julgado esta segunda-feira no Tribunal de Aveiro.
Paulo Jorge Duarte 27 de Setembro de 2021 às 15:32
Tribunal de Aveiro
Tribunal de Aveiro FOTO: Direitos Reservados
O suspeito de matar a ex-companheira, em Esmoriz, Ovar, com dois tiros de caçadeira, alegou que os disparos foram acidentais. O caso aconteceu, em 31 de Julho de 2020, na avenida 29 Março, junto ao banco Montepio Geral, à entrada do local de trabalho da vítima.

O arguido, de 79 anos, começou, esta segunda-feira, a ser julgado, pelo tribunal de Aveiro, pelos crimes de homicídio qualificado, violência doméstica e posse de arma proibida. Perante o coletivo de juízes, o homem afirmou que nunca agrediu a mulher, de 58 anos, durante os 15 anos que durou a relação. "Sou incapaz de fazer mal a alguém, nunca bati na Arminda, nem com umas flores", afirmou Manuel Rodrigues.

"Levei a arma para lhe perguntar porque é que ela mandou serrar os canos da caçadeira. Ela puxou o saco onde eu tinha a arma guardada e foi aí que aconteceram os dois disparos", acrescentou o homem. Segundo a acusação, o primeiro tiro atirou na cabeça da vítima. O segundo atingiu a mulher na barriga.

O alegado homicida dirigiu-se ao local onde a vítima trabalhava, encontrou-a na caixa do multibanco e disparou com uma arma dentro de um saco de plástico. Dois populares conseguiram intervir e impedir que o suspeito se suicidasse. Segundo testemunhas, o homem sofria de cancro em fase terminal e justificou a decisão ao dizer que "se não podia viver ela também não".

Um bombeiro que estava no edifício da Associação Mutualista, por cima da caixa multibanco, a dar uma formação em primeiros socorros, ouviu os disparos e socorreu a vítima com manobras de reanimação.

A vítima sofreu uma paragem cardiorrespiratória e o óbito foi declarado no local pela equipa da VMER de Santa Maria da Feira.

Segundo o que o CM apurou, não há historial de violência doméstica comunicada à GNR. O fim do relacionamento poderá estar na origem do crime.
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