Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
9

“Nunca pensei que me salvava”

Joaquim Filipe Agostinho, vinte anos, pode gabar-se de ter realizado uma façanha: esteve soterrado no fundo de um poço cheio de areia durante três horas e sobreviveupraticamente incólume. Um amigo, Custódio Pulido, de 34 anos, com quem estava, anteontem, a escavar um buraco na zona poente de Monte Gordo, na tentativa de encontrar água para dar aos bichos que ambos criam no local, salvou-lhe a vida.
24 de Outubro de 2008 às 00:30
Custódio Pulido (à esq) salvou Joaquim Filipe (à dir) enfiando um tubo na areia para lhe permitir respirar
Custódio Pulido (à esq) salvou Joaquim Filipe (à dir) enfiando um tubo na areia para lhe permitir respirar FOTO: Nuno Jesus

"Estava no fundo do poço, a cerca de quatro metros, quando a areia começou adesabar-meem cima", conta o jovem Joaquim Filipe, que, de repente, se viu totalmente coberto de areia. "Não podia respirar, pois sempre que abria a boca engolia muita areia", afirma Filipe, que confessa: "Nunca pensei que me safava; pensei ir morrer novo como o meu pai, que faleceu aos 30 anos", refere.

Em cima ficou Custódio Pulido que, ao ver o amigo coberto de areia, não hesitou. "Joguei-me lá para baixo e, de joelhos, escavei areia, até encontrar-lhe a cabeça", conta Custódio, surpreendido por nova derrocada. "Fiquei com areia até aos ombros e o Joaquim, de novo, totalmente tapado".

Na aflição, Custódio Pulido ainda teve forças para gritar por socorro. "Pedi que fossem buscar um tubo, que foi precioso para salvar a vida do Joaquim", conta Custódio Pulido que conseguiu, a muito custo, enfiar o tubo na areia, por onde o amigo conseguiu respirar durante as três horas em que esteve soterrado, sendo salvo pelos bombeiros.

"Só soube que o Joaquim estava vivo quando o vi são e salvo na Urgência do Hospital de Faro, para onde fomos conduzidos, apenas por precaução", garante.

Ver comentários