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Correio da Manhã

Portugal
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“Nunca pensei que o meu pai matasse”

"Vi a minha mãe no chão, estendida numa grande poça de sangue e percebi logo que tinha morrido". As palavras saíram ontem a custo, entre soluços e lágrimas, da boca de João Cunha – enquanto descrevia ao Tribunal do Fundão o momento em que entrou, a 15 de abril, no apartamento onde o pai tinha matado a mãe, Maria Teresa, de 76 anos, à paulada.
3 de Maio de 2013 às 01:00

Na primeira sessão do julgamento, Manuel Cunha, homicida de 73 anos, permaneceu sempre em silêncio. O filho do casal recordou, num testemunho de grande emoção, que levou grande parte da audiência às lágrimas, vários episódios de violência verbal de Manuel Cunha sobre Maria Teresa. "Ele chamava--lhe nomes, punha defeitos em tudo e, por vezes, atirava-lhe com coisas. Mas nunca nos passou pela cabeça que pudesse fazer uma coisa destas", contou.

Os maus tratos, revelou João Cunha, duraram desde que se lembra, e estendiam-se, para além da mãe, a ele e à irmã: "Ele sempre foi muito mau e batia--nos". Apesar disso, João, técnico de telecomunicações, tentava almoçar com a mãe todos os dias: "Para estar com ela e, de certo modo, protegê-la do mau feitio do meu pai e confortá-la".

No dia 15 de abril João não foi almoçar com a mãe por ter um trabalho demasiado longe. Manuel fazia 73 anos. À hora de almoço começou a discutir com a mulher. Primeiro terá tentado estrangulá-la e depois assassinou-a com um pau na cabeça.

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