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Correio da Manhã

Portugal
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O EMIGRANTE ESTÁTUA

Aproveitando as comemorações do V Encontro Universal de Banheirenses, que não é mais que um convívio de emigrantes, amigos e familiares, foi ontem inaugurado o Monumento ao Emigrante, no parque José Afonso, na freguesia da Baixa da Banheira. Chegaram de meia dúzia de países, perto de 150 pessoas que a vida impeliu para o estrangeiro.
9 de Agosto de 2004 às 00:00
O Monumento ao Emigrante relembra os anos 60 e 70 em que se fugia ao Ultramar e à pobreza
O Monumento ao Emigrante relembra os anos 60 e 70 em que se fugia ao Ultramar e à pobreza FOTO: Vítor Mota
O monumento é parte deles. Junto ao rio, um pedestal em mármore está vazio. Mais à frente um homem nu concretiza a estátua, propriamente dita. O seu passo 'congelado' em direcção ao rio, à partida, marca também o olhar de muitos que viram os seus familiares e amigos partirem para local incerto.
Este é o emigrante que marcou a memória de um concelho que, nos anos 70, viu fugir as gerações mais novas, "pelo pão, pela liberdade, na fuga à repressão", lembrou João Lobo, presidente da Câmara Municipal da Moita. Ainda hoje a emigração é uma constante nas gerações mais novas que procuram melhores condições de vida e um futuro próspero noutro país.
"O pedestal elevando a escultura do chão tem como objectivo 'vencer a força da gravidade'", refere o escultor Daniel Figueiredo, na memória descritiva da sua primeira obra pública. Neste caso, o pedestal vazio simboliza o lugar, também vazio. A nudez representada no homem, leva à reflexão no tempo, não deixa marcas entre o emigrante de ontem e o de amanhã. É a emigração.
Uma homenagem que se concretiza no maior espaço verde do concelho, o parque José Afonso, que venceu também as memórias do passado e simboliza a liberdade do povo. Mas, não foi só aqui que a Associação Amicale Banheirense - criada pelos emigrantes e espalhada por outros países - e os órgãos de gestão local, escolheram para o convívio, onde se encontraram três gerações de emigrantes e luso descendentes. No ginásio desportivo da freguesia serviu-se o almoço e, num café-restaurantes, o lanche.
O CM esteve com alguns destes emigrantes e o seu sentimento, em relação a Portugal, é quase generalizado. "O País está bonito e bom para vir de férias", conta António Santos. "O sistema social continua cada vez pior. Quem vive mal está mesmo muito mal", disse este português, que desertou da Marinha Portuguesa há 35 anos e que hoje está radicado na Holanda.
VISÃO DE PORTUGAL
"É O NÚMERO UM DO MUNDO"- HENRIQUE SANTOS (HOLANDA)
"Portugal é o país número um do mundo! Estamos a acompanhar a Comunidade Europeia, mas estamos em atraso na assistência social e nos médicos. Não pode vir tudo ao mesmo tempo, há países que estiveram na II Guerra Mundial e que também estão como nós."
"AO ALCANCE DA EUROPA" - JOSÉ RIJO (FRANÇA)
"Não há melhor que o nosso País. Temos o Sol, temos tudo. Não está ainda como deve ser, mas para lá caminhamos no alcance dos outros países da Europa. Gostava que houvesse trabalho, fábricas e que o turismo estivesse mais desenvolvido."
"MAU ACESSOÀ SAÚDE" - ERMELINDA CORREIA (FRANÇA)
"Vejo Portugal de uma forma mais ou menos boa. O acesso à Saúde está numa situação precária e a modernização do País também não foi pelo melhor, pois ainda se sente muito a falta de trabalho. Por outro lado, o Estado não se preocupa com a ocupação da juventude. E muito mal."
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