Um manual de Língua Portuguesa para o 9.º ano – ‘Ser em Português’, Areal Editores – interrompe o estudo de ‘Os Lusíadas’ com uma proposta de actividade onde os alunos têm de ler as previsões de um horóscopo e imaginar qual o signo que melhor serviria o interesse dos Portugueses na demanda dos oceanos. Para o editor esta é “uma estratégia como outra qualquer”. Mas há professores que dizem “totalmente contra”.
Numa altura em que a comissão parlamentar de Educação, Ciência e Cultura se propõe criar um grupo de trabalho para reflectir sobre os programas e manuais escolares, após as polémicas alterações aos conteúdos do ensino do Português, a “questão do horóscopo” no estudo de ‘Os Lusíadas’, na opinião da professora Maria do Carmo Vieira, “vem no seguimento da destruição da seriedade no ensino da língua e da cultura portuguesas”.
A actividade proposta pelos autores do manual supõe que os jovens tenham o horóscopo proposto, da autoria de Paulo Cardoso, como se este correspondesse ao momento em que, na epopeia camoneana, se realiza o ‘Consílio dos Deuses’. Artur Veríssimo, um dos coordenadores da obra, refere que “são os programas que obrigam a este cruzamento de textos de tipologias diferentes”. Quanto à analogia entre o ‘Consílio dos Deuses’ e os signos do zodíaco, Artur Veríssimo não tem dúvidas: “em ambos se traça o futuro. E, para mais, os horóscopos são bastante procurados pelos alunos, o que dá boas discussões e bons momentos nas aulas”.
Já Maria do Carmo Vieira, a professora que contestou com veemência a inclusão do regulamento do ‘Big Brother’ no manual ‘Comunicar’, refere que “até percebo a analogia caso estivessemos a falar de uma brincadeira de café”. Diz esta docente da Escola Secundária Marquês de Pombal que ‘Os Lusíadas’ são uma obra de arte ímpar, pelo que não se pode interferir na sua leitura com textos não literários de qualidade duvidosa. Haja um pouco de vergonha. Num manual, que é o nosso acompanhante diário, tem de haver seriedade”.
ABSURDO E DESCABIDO
Também Vasco Graça Moura – que se opôs à passagem do início do estudo da obra de Luís Vaz de Camões do 9.º para o 12.º ano – concorda que esta proximidade programática entre a leitura do ‘Consílio dos Deuses’ e um horóscopo corrente “parece absurda. Tão deslocada como propor para determinados episódios o exercício da batalha naval”. Para o escritor e ensaista “existem maneiras mais estimulantes de interessar os alunos para a narrativa épica”.
Por seu turno, Diogo Santos, editor da Areal, sai em defesa dos autores, referindo que se “trata de uma equipa competente” e que a inclusão do horóscopo “é uma estratégia motivadora, apaz de suscitar à escrita e apelar à criatividade dos estudantes”. Acrescenta o editor que “os programas consagram o recurso aos textos dos media, entre eles os horóscopos”. Ainda para mais, prossegue, “esta é uma boa solução e tem um enquadramento interessante. Tanto que este livro tem quatro anos e sempre se qualificou entre os três melhores manuais de Literatura Portuguesa para o 9.º ano”.
Artur Veríssimo também não vê qualquer tipo de impedimento, “a não ser que exista algum tipo de preconceito em relação aos horóscopos”.
O autor das previsões, Paulo Cardoso, mostrou-se surpreendido, já que a editora não o informou da inclusão dos signos. Para o astrólogo é uma “honra estar num manual de Português, até porque os miúdos gostam de falar destas coisas. Mas junto a ‘Os Lusíadas’, pode dar confusão”.
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