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Correio da Manhã

Portugal

“O meu filho queria parar e entregar-se”

Ele não sabia dizer não a ninguém. E foi assim que acabou no banco de trás de uma mota a participar num assalto às portagens de Santarém." As palavras são de Maria Manuel Lopes, operadora de supermercado, 46 anos, que há uma semana viu o filho Roberto, de apenas 21, morrer na sequência de uma perseguição da Brigada de Trânsito (BT) da GNR na A1.
17 de Novembro de 2008 às 00:30
Roberto no último almoço de família e os objectos devolvidos – um iPod e uma moeda de cinco cêntimos
Roberto no último almoço de família e os objectos devolvidos – um iPod e uma moeda de cinco cêntimos FOTO: Bruno Colaço

No sábado, 8 de Novembro, Roberto Lopes "foi primeiro às aulas de condução, de manhã. Depois foi ter com o pai à oficina antes de se apresentar na GNR do Afonsoeiro (ver apoios). Os dois vieram a casa almoçar e, pelas 14h00, o pai foi levá-lo ao Montijo para ir tomar café com os amigos. Antes de sair pediu-me três euros para tabaco e eu, porque não tinha moedas, dei-lhe cinco. Depois disso, nunca mais o vimos", recorda a mãe ao CM.

"Eram duas da manhã quando a GNR nos veio bater à porta. Só disseram para ligarmos para a BT do Carregado porque o Roberto tinha sofrido um acidente", acrescenta.

Foi assim que a família de Roberto ficou a saber que este tinha participado no assalto às portagens de Santarém e morrido na A1 atropelado por um carro da BT. "Istofaz--nosuma confusão enorme. Ele não era rapaz para fazer isto. Foram as más companhias..."

Por "más companhias" entenda-se Ricardo Pinto, o condutor da moto, também de 21 anos, que sobreviveu ao acidente e fugiu. Foi capturado pela PJ na quinta-feira numa herdade perto de Alcochete. "Foi ele que o convenceu. Sei que já o tinha tentado fazer antes", garante Marlise Lopes, a irmã mais nova de Roberto.

Marlise, que diz ter falado com "uma amiga do Pinto que o ajudou enquanto esteve escondido", garante que o irmão, ao longo da fuga às autoridades, "tentou convencê-lo a parar a moto e a entregar-se. Foi o Pinto que depois do assalto quis voltar a passar pelas portagens de Santarém", afirma Marlise Lopes.

"Morreu com cinco cêntimos no bolso", lamenta a mãe. Do roubo, a dupla tinha arrecadado 800 euros. Já o pai, Faustino Lopes, afirmou ao CM que "possivelmente" vai "avançar com um processo contra a actuação da BT" no acidente que vitimou o filho. "Atravessar um carro à frente de uma mota para a obrigar a parar é uma manobra que não se faz em parte alguma do Mundo", defende.

PORMENORES

APRESENTAÇÕES À GNR

A família diz que Roberto Lopes não tinha qualquer processo por furtos e roubos. "Estava só com apresentações semanais à GNR por condução sem carta", garante o pai.

TÉCNICO DE INFORMÁTICA

Roberto Lopes, de 21 anos, estava desempregado e não concluiu o 9.º ano. "Passava os dias aqui por casa, sentado ao computador, a passar músicas. Queria ser técnico de informática", diz o pai.

 

 

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