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Correio da Manhã

Portugal
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“O meu marido queria matar-nos a todos”

Quando a polícia chegou anteontem à noite ao bairro da Serafina, em Lisboa, Humberto Jorge ainda estava com um maçarico ligado a uma botija de gás nas mãos e a casa onde vivia com a mulher e os dois filhos menores era consumida pelas chamas. E só gritava: "Fechem a porta que quero matar-me!"
29 de Janeiro de 2009 às 00:30
Casa de Sónia Ribeiro ficou destruída pelo fogo ateado pelo marido
Casa de Sónia Ribeiro ficou destruída pelo fogo ateado pelo marido FOTO: Manuel Moreira

O trabalhador da construção civil, de 36 anos, acabou detido pela PSP. A mulher, Sónia Ribeiro, de 27 anos, contou ao CM que este foi apenas o último episódio de violência doméstica de que foi vítima. "Quando eu cheguei a casa, pelas 15h00, já ele estava bêbedo. E voltou a sair para ir comprar vinho. Como é normal, bebeu mais uns bagaços no café".

"Depois, quando voltou para casa, já perto das 19h00, começou a discutir comigo e deu-me uma chapada. A seguir saiu para a rua, caiu no chão e desafiou os vizinhos para andar à porrada. Os vizinhos agarraram-no, trouxeram-no para casa e ataram-no a uma cadeira. O objectivo deles era só fazer com que ele adormecesse para passar o efeito do álcool", diz Sónia, que nessa altura pegou nos dois filhos e os levou para casa da mãe.

"O meu marido estava louco e queria matar-nos a todos. Só gritava: ‘Se me libertares eu mato-te’", acrescenta. Sónia não o livrou das cordas, mas Humberto soltou--se. E ateou fogo à casa, sendo detido depois de salvo pela polícia.

"ELE ATÉ JÁ ME PARTIU O NARIZ"

De acordo com Sónia Ribeiro, as agressões do marido "são uma constante e duram há muito tempo. É sempre que está bêbedo", conta. "Uma das primeiras vezes foi em Janeiro de 2001, pouco depois de nascer o nosso primeiro filho. Nessa altura partiu-me o nariz". Agora, garante, "não há volta a dar. Isto não volta a acontecer. Se ele ficar em liberdade já não volta para casa. As coisas dele já estão à porta e não o deixamos entrar."

PORMENORES

FILHOS PROTEGIDOS

Os dois filhos de Sónia e Humberto – uma menina, de dois anos, e um rapaz, com oito – estão em casa da avó. Foram retirados da casa antes de o pai atear o fogo.

QUEIXAS RETIRADAS

Sónia contou ao CM que, devido às agressões, a presença da PSP na sua casa "é uma constante" e já apresentou várias queixas contra o marido. "Mas acabei por retirá-las sempre e por aceitá-lo de volta", lamenta.

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