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Correio da Manhã

Portugal
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O MISTÉRIO DO ESTORIL

Há cerca de duas semanas, um homem saiu apressado de um táxi que estava preso no trânsito em S.João do Estoril, Cascais, e tentou atravessar a Marginal. Foi atropelado antes de chegar ao passeio e ficou estendido no alcatrão em estado grave. Nos bolsos tinha vários milhares de euros em dinheiro e um cartão bancário de outra pessoa. A polícia estranhou e decidiu investigar. Os primeiros resultados começam a aparecer.
1 de Setembro de 2003 às 00:00
De acordo com uma fonte policial contactada pelo Correio da Manhã, o indivíduo atropelado terá cerca de 40 anos e reside no Norte do País. Desconhece-se a sua profissão, mas as autoridades já conseguiram apurar que se trata de um indivíduo com cadastro, que terá estado a cumprir pena no Estabelecimento Prisional de Custóias, no Porto.
Naquele dia, 22 de Agosto, sexta-feira, pouco depois das 16h30, o trânsito estava parado na Marginal, mas apenas no sentido Lisboa-Cascais. O táxi estava preso na fila de carros. O homem abriu a porta, chegou-se ao meio da estrada, em cima do duplo traço contínuo, e avançou para o passeio junto ao mar. Deu o primeiro passo e foi apanhado por um veículo que circulava em sentido contrário. O trabalho da polícia começou nessa tarde. Além do dinheiro, vários milhares de euros, e do cartão de crédito, que não era seu, nada mais ajudava a identificar o indivíduo. Através do nome no cartão, a polícia tentou encontrar familiares. Telefonou. Atendeu uma mulher. "O meu marido? Atropelado? Mas ele está aqui ao meu lado".
Nesse dia, o do atropelamento, o indivíduo, de nacionalidade portuguesa, foi projectado no ar alguns metros. Chegaram duas ambulâncias, o INEM, os bombeiros, depois a Brigada de Trânsito da GNR. O atropelado foi conduzido ao hospital, bem como o condutor do veículo que o atropelou. O trânsito continuou parado por mais algum tempo, no sentido Lisboa-Cascais.
A polícia ainda não encerrou as investigações, que, de resto, deverão passar para a alçada da Polícia Judiciária. A verdadeira residência do homem, para já, permanece uma incógnita, embora cinco moradas diferentes tenham já sido investigadas todas na zona do Porto, explicou a mesma fonte ao CM.
A ligação do indivíduo ao Norte torna-se mais forte devido ao cartão bancário - pertencente a um outro homem, residente, esse sim, naquela zona do país.
Diligências posteriores, desenvolvidas nos últimos dias, permitiram entretanto às autoridades apreender, em circunstâncias mantidas em segredo, várias chaves de carros, algumas gazuas e também um alicate - tudo material relacionado com o indivíduo que, para já, continua hospitalizado em estado grave.
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