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Correio da Manhã

Portugal
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O mundo de hoje precisa de santos

Sentada na quarta fila de cadeiras, em frente à Sé de Viseu, Esméria Sintra, 64 anos, aperta a imagem da madre Rita contra o peito. Quer sorrir, mas a emoção humedece-lhe o olhar. São 16h25 e o administrador Apostólico de Viseu, D. António Marto, acaba de pedir a inscrição de Rita Amada de Jesus no livro dos beatos.
29 de Maio de 2006 às 00:00
Milhares de crentes testemunharam o ‘nascimento’ de uma nova beata
Milhares de crentes testemunharam o ‘nascimento’ de uma nova beata FOTO: Luís Filipe Coito
“É o dia mais feliz da minha vida”, desabafa a miraculada, que veio directamente do Brasil para assistir à primeira beatificação na história da diocese de Viseu.
Presididas pelo cardeal D. José Saraiva Martins, prefeito da Congregação das Causas dos Santos e representante do Papa Bento XVI, as celebrações atraíram ontem milhares de fiéis ao adro da Sé. Não tantos como se esperava, mas o suficiente para fazer da cerimónia uma festa de fé e de devoção.
Esméria Sintra quase passa incógnita no meio dos crentes que se concentram no recinto da eucaristia, sob um sol abrasador. Centenas de escuteiros distribuem águas para minimizar os efeitos do calor. Trinta pessoas precisam de receber assistência médica. Mas Esméria mantém-se firme no seu lugar. Na mão direita segura a imagem da nova beata, na esquerda agita a bandeira do Brasil.
“Abaixo de Deus, a madre Rita é tudo para mim. Foi graças a ela que curei uma chaga no intestino”, afirma a brasileira. Em sentido inverso, a cura de Esméria, inexplicável para a medicina, permitiu que as virtudes heróicas da religiosa pudessem ser reconhecidas pelo Vaticano. “A madre Rita Amada de Jesus foi um dos grandes mestres da pedagogia cristã do seu tempo e a sua mensagem é hoje mais do que actual. Lutou com todas as forças pela libertação da mulher e trabalhou com grande paixão para formar os jovens e ajudá-los a sair da pobreza humana”, afirmou D. José Saraiva Martins. Para o legado do Papa, Rita de Jesus foi uma devota fervorosa de Maria, antecipando a sua Aparição aos Pastorinhos na Cova da Iria.
Por isso, é uma mulher que a Igreja propõe como modelo a todos os cristãos. “O mundo de hoje precisa de santos, sobretudo de homens e mulheres com vocação cristã como a que teve a nova beata Rita, concluiu o cardeal.
CALOR NÃO DESMORECEU FÁ DOS DEVOTOS
SILVINA MARTINS - RIBAFEITA
“Desde muito pequena que ouvi falar da obra e do trabalho de madre Rita de Jesus. Para mim comportou-se como uma santa e merece toda a nossa admiração. Nasci na mesma terra que ela – Ribafeita – pelo que não podia perder esta cerimónia memorável.”
MARIA ADOSINDA - RIO DE JANEIRO
“Estou no Rio de Janeiro há muitos anos e sempre ouvi falar na madre Rita de Jesus. Espalhou amor por todo o mundo e ajudou as pessoas mais pobres. Apesar do muito calor que se faz sentir, estou aqui com muita fé e como grande devota da agora beata.”
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