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Correio da Manhã

Portugal
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O MUNDO É PEQUENO

Eram jovens quando, como tantos outros portugueses, resolveram tentar a sorte noutro canto do mundo. Um decidiu ir para a Argentina, outro construiu a sua vida na Austrália.
19 de Outubro de 2004 às 00:00
Na sexta-feira passada, 53 anos depois de se terem visto pela última vez, os dois irmãos reencontraram-se por acaso, à saída do aeroporto de Lisboa. Vinham participar no programa ‘Portugal no Coração’, que começou ontem na Costa de Caparica.
Francisco Gregório Silva, de 81 anos, já estava no autocarro que ia levar um grupo de idosos do aeroporto para o hotel, quando ouviu alguém entrar e dizer que era de Tunes (Algarve), a sua terra-natal. Aproximou-se para se apresentar quando se deparou com uma cara de espanto. “Olhei para ele e vi a cara do meu pai. Abracei-lhe logo e disse: ‘és o meu irmão’”, lembra Mário Silva, de 70 anos de idade, emigrante na Austrália há 32 anos.
Os dois irmãos algarvios viram-se pela última vez em 1951, quando Francisco partiu para a Argentina. Desde então, perderam completamente o contacto. Tantos anos de separação tornaram ainda mais forte a emoção do reencontro. “Fiquei sem palavras. Queria dizer alguma coisa, mas não saia nada”, contou Francisco, num sotaque espanholado resultado dos longos anos de vida nas Pampas. “As lágrimas correram também. Para mim, foi um choque muito grande”, lembrou o irmão Mário, em conversa com o CM, durante um jantar ontem num restaurante do Bairro Alto, onde se reuniram dezenas de idosos, emigrantes Portugueses de várias paragens. O evento fez parte da segunda edição anual do programa ‘Portugal no Coração’, que desde 1996 traz ao País emigrantes há muito tempo afastados. Ao almoço, na Costa de Caparica, o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Carlos Gonçalves, havia assinalado o início do programa com uma homenagem aos dois irmãos. “Agradeço por nunca se terem esquecido de Portugal e por terem mantido sempre laços tão fortes com o nosso país”, disse o responsável pela pasta da Emigração.
Agora que se reencontraram, Mário e Francisco não se querem mais perder de vista. E já planeiam uma incursão ao Algarve, onde esperam encontrar em Tunes um outro irmão, António João, que há dezenas de anos resolveu ficar por cá, e também não tinha notícias dos dois manos que se fizeram ao mar.
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