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Correio da Manhã

Portugal

O Papa não nos ralhou

O Cardeal-patriarca de Lisboa recordou ontem o apelo do Papa Bento XVI para a necessidade de renovação da Igreja referindo que “Maria proteger-nos-á na nossa ousadia de construir a esperança”. Perante os fiéis que encheram a igreja do Mosteiro dos Jerónimos para assistirem à ordenação de 14 diáconos, D. José Policarpo recordou a recente reunião dos bispos portugueses com Bento XVI e garantiu: “O Papa não nos ralhou, pelo menos não demos por isso, antes nos incentivou a percorrer os caminhos da renovação.”
3 de Dezembro de 2007 às 00:00
Os eleitos prostraram-se perante o Cardeal D. José Policarpo no momento da súplica litânica
Os eleitos prostraram-se perante o Cardeal D. José Policarpo no momento da súplica litânica FOTO: João Miguel Rodrigues
Recorde-se que Bento XVI afirmou ser “preciso mudar o estilo de organização da comunidade eclesial portuguesa e a mentalidade dos seus membros”. Apenas dois milhões de portugueses são católicos praticantes. Mas, apesar da redução de padres, a esmagadora maioria das mais de quatro mil paróquias continua confiada a sacerdotes (99,54 por cento). A Igreja portuguesa é também uma das mais dinâmicas na evangelização em África e Ásia, continentes onde a Igreja Católica tem forte crescimento.
Na homilia da Eucaristia do primeiro domingo do Advento, D. José Policarpo lançou o apelo: “Precisamos de leigos que se considerem co-responsáveis pela Igreja, que tomem iniciativas de evangelização e no serviço da caridade.”
Numa referência aos diáconos, D. José Policarpo acrescentou: “Precisamos de sacerdotes que sejam, para esses leigos, a força que dinamiza, a luz que esclarece, o amor que a todos une na fidelidade a Jesus Cristo.”
O religioso adiantou que, após uma sondagem sobre a importância da palavra de Deus na vida da diocese, foi realizado um relatório que visa “a melhoria da proclamação e da recepção da palavra de Deus”. D. José Policarpo sustenta ser “esse um aspecto relevante do ministério dos diáconos e dos presbíteros”.
João Vergamota, 25 anos, ontem ordenado, expressou ao CM forte vontade de trabalhar. O jovem do Seminário dos Olivais disse ter sentido o apelo da Igreja aquando da preparação para o crisma. No final, fora do mosteiro, centenas de católicos celebraram as ordenações com cantares.
NOTAS
IGREJA CHEIA
Familiares e amigos dos novos diáconos encheram ontem a igreja do Mosteiro dos Jerónimos. No final da cerimónia de ordenações, os novos membros da Igreja foram aplaudidos ao mesmo tempo que os telemóveis captavam fotos num verdadeiro banho de multidão.
PROMESSA
O Cardeal-patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, recebeu a promessa de entrada ao serviço da Igreja dlos eleitos ao diaconado. Ajoelhados e com as mãos juntas entre as mãos de D. José Policarpo, os eleitos prometeram “reverência e obediência”.
VÁRIAS NAÇÕES
A ordenação contou com representantes de vários países: oito portugueses, dois dos quais sacerdotes do Coração de Jesus; dois da Indonésia; um do Togo; um da Costa do Marfim; um do Peru; e um da República Dominicana. Um dos portugueses tinha 56 anos.
MAIS INFORMAÇÃO
SEIS MESES
Iniciado o ministério do diaconado, os 14 religiosos ontem ordenados deverão ser acompanhados nos próximos seis meses nos seminários até assumirem o lugar de padres.
MENOS PADRES
Portugal regista uma redução nas ordenações sacerdotais. Entre 2000 e 2005 o número de sacerdotes diocesanos baixou de 3159 para 2934 (menos 225).
DADOS PREOCUPANTES
A situação de 2005 mostra que por cada dois padres que morrem (nesse ano foram 80), apenas um é ordenado (41 novos sacerdotes). Há ainda a registar uma média de cinco desistências por ano.
REUNIÃO EM ROMA
A reunião dos bispos com Bento XVI ocorreu entre 3 e 12 de Novembro. Trinta e cinco religiosos portugueses revelaram no Vaticano o ‘Relatório Quinquenal do Estado da Diocese’.
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