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Correio da Manhã

Portugal
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O que Joaquim Paulo disse ao MP sobre Sócrates

Presidente confirma circulação de dinheiros por empresas do grupo Lena.
Tânia Laranjo 16 de Setembro de 2016 às 12:58
Joaquim Paulo da Conceição é Presidente da Comissão Executiva (CEO) do Grupo Lena
Joaquim Paulo da Conceição é Presidente da Comissão Executiva (CEO) do Grupo Lena FOTO: Pedro Catarino

O presidente da Comissão executiva do Grupo Lena negou em comunicado ter reconhecido aos investigadores do Processo Marquês que eram pagas comissões a José Sócrates. No entanto, em junho, num longo depoimento, o empresário Joaquim Paulo da Conceição reconheceu o esquema de faturação falsa entre o Grupo Lena e Santos Silva, para fazer chegar dinheiro ao ex-primeiro ministro.

O depoimento foi longo e atípico. Primeiro porque Joaquim Paulo pediu para não ser ouvido em termos individuais, uma vez que queria mais tempo para preparar a sua própria defesa. Acabou por ser inquirido, como arguido, na qualidade de representante das empresas do Grupo Lena

O procurador do Ministério Público, Rosário Teixeira, expõe-lhe os longos factos já apurados. Diz-lhe que Sócrates ajudou  o Grupo Lena e que os pagamentos feitos a Santos Silva se destinavam ao ex-primeiro ministro.

O magistrado adianta ainda que houve esquemas complexos para lavar dinheiro e que foi feito um contrato falso com Hélder Bataglia para fazer chegar oito milhões às contas de José Sócrates.

Joaquim Paulo nada nega. Aceita falar e explica o funcionamento das empresas do grupo. Diz que também ele contestou sempre que os contratos fossem centrados em Barroca e Santos Silva.

O empresário vai mais longe. Afinal a investigação tem razão. Os oito milhões eram mesmo para Santos Silva e o Grupo Lena aceitou ser apenas barriga de aluguer. O carro que o irmão de Sócrates usava também foi pago pelo Lena. Tal como outras verbas que foram entregues a Santos Silva por serviços que Joaquim Paulo não consegue precisar.

Sócrates soube do depoimento

Quando avançou para o pedido de afastamento dos magistrados do processo Marquês,  José Sócrates já conhecia o depoimento de Joaquim Paulo. Sabia que ele tinha confirmado a tese do Ministério Público, de que o grupo de Leiria servia para passar dinheiro para Carlos Santos Silva.

Em comunicado, a  defesa de José Sócrates veio na manhã desta sexta-feira garantir o contrário. Dizem os advogados do antigo Primeiro–Ministro que Joaquim Paulo nada confirmou ao Ministério Público e que o que tudo o que o CM escreveu é mentira.

Mas o que se lê no processo é bem diferente. Aí constam as seguintes passagens;

"Joaquim Paulo admitiu que os 8 milhões de euros que foram recebidos do contrato de promessa, se destinariam apenas a transitar pela Lena, com destino ao Sr. Carlos Santos Silva, razão pela qual o Sr. Joaquim Barroca queria que o depoente fizesse um novo contrato com a XLM no valor de 5 milhões de euros"

"Explicou a actividade que conheceu à XLM e as questões que suscitou dentro do Grupo sobre a razão de ser dos pagamentos à mesma, uma vez que para si tal sociedade correspondia à pessoa do Eng. Carlos Santos Silva"

A versão de Joaquim Paulo apresentada ao Ministério Público contraria os depoimentos de Santos Silva e Joaquim Barroca. Ambos garantiam que os trabalhos efetuados pela XLM, empresa do amigo de Sócrates, eram reais. Desmentiram também a passagem de dinheiro do GES para o universo do amigo de José Sócrates. Falavam mesmo em prémios de gestão que teriam sido entregues ao então administrador do grupo.

O depoimento de Joaquim Paulo ainda vai ser complementado. Terá de ser ouvido em termos individuais, pois depôs na qualidade de representante do Grupo Lena. Mas o que o Presidente Executivo disse no inquérito tem valor jurídico e o quadro poderá ser confrontado com essas declarações em julgamento.

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