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Correio da Manhã

Portugal

O regresso após décadas de ausência

Teresa Barroso, de 69 anos, emigrou para o Brasil aos 17. Nunca mais tinha voltado. "Trabalhei a vida inteira como empregada doméstica. Tenho uma irmã em Portugal que não via há 51 anos. Vou ficar mais uns dias para vê-la e aos meus sobrinhos, porque só nos temos contactado através da internet. Eu não sei mexer, mas a minha filha entra no computador e conversa com as primas", relatou ao Correio da Manhã.

26 de Outubro de 2008 às 00:30
Os emigrantes passearam ontem pela Foz do Arelho (Caldas da Rainha), Óbidos e Nazaré
Os emigrantes passearam ontem pela Foz do Arelho (Caldas da Rainha), Óbidos e Nazaré FOTO: Francisco Gomes

Na última década mais de 600 idosos, que emigraram para vários pontos do Mundo e que já não pisavam solo nacional há dezenas de anos, devido a situações de menor prosperidade, tiveram oportunidade de regressar a Portugal, ao abrigo de um programa criado pela Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas. Actualmente encontra-se no País um grupo de 21 idosos. Um deles já não pisava território nacional há 71 anos. Vêm do Brasil, Argentina, Chile, Venezuela e África do Sul. Chegaram a 18 de Outubro e sete regressam à diáspora no início de Novembro. Os restantes ficam mais alguns dias junto de familiares e amigos.

João Abreu, de 71 anos, não vinha a Portugal há 55 anos. Saiu da Madeira e foi para a Venezuela. "A situação de emprego estava mal e tive de emigrar para trabalhar na pesca. Depois desta viagem ainda vou para a Madeira, para ver se encontro alguns amigos", contou.

Os custos do programa, que inclui passeios turístico-culturais, do Algarve ao Minho, são suportados pela Tap, Inatel e Direcção-Geral dos Assuntos Consulares e Comunidades Portuguesas.

DOIS CASOS

"A VIDA NÃO CORREU MUITO BEM PARA VIR" (Serafim Gonçalves, 77 anos)

Fui sempre carpinteiro. Constituí uma família grande na África do Sul e a vida não correu muito bem para ganhar dinheiro e vir cá. As passagens são muito caras. Estive 42 anos sem cá vir".

"SENTIA FALTA DE COMER BACALHAU E CASTANHAS" (Maria Urbana, 68 anos)

Fui filha única e não tenho cá família. Tinha muitas saudades, não vinha há 60 anos. Sentia falta de comer bacalhau, pão de milho e castanhas. Tive um vida difícil no Chile, houve tempos maus".

PORMENORES

‘PORTUGAL NO CORAÇÃO’

A iniciativa, criada em 1996, proporciona uma estadia de curta duração a cidadãos portugueses residentes fora da Europa.

‘DINHEIRO DE BOLSO’

É atribuído aos beneficiários do programa, a título de ‘dinheiro de bolso’, um montante correspondente a metade do salário mínimo nacional.

 

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