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Correio da Manhã

Portugal

O santo dos desvalidos

Passados 50 anos da sua morte, o Padre Américo, fundador da Casa do Gaiato, permanece na memória pelo menos dos mais velhos, não faltando quem o considera um santo.
17 de Julho de 2006 às 00:00
Ontem, cerca de meia centena de pessoas juntaram-se no Largo Padre Américo, no Barredo, Porto, para evocar a obra do homem que disse que “não há rapazes maus”.
Elisabete Sá, de 73 anos, que diz ter conhecido o “Pai Américo” é peremptória ao dizer que “se ele visse esta iniciativa teria fugido pelas escadas a baixo porque não gostava de protagonismos”. Recorda-o como uma pessoa intrinsecamente boa e que nunca faltou aos pobres.
“Tenho-lhe uma grande veneração. Quando os ricos do Porto não vinham à Ribeira, por medo da tuberculose e outras doenças, ele dava-nos a mão”, recorda. A moradora do Barredo só lamenta a hipocrisia de algumas pessoas ligadas à Igreja, que na altura o “tinham como comunista”.
Na cerimónia de homenagem estiveram presentes a governadora civil do Porto, Isabel Oneto, o presidente da Associação Comercial do Porto, Rui Moreira, e a vereadora da Habitação e Acção Social, Matilde Alves, além de vários representantes da Igreja Católica.
“A Casa do Gaiato, apesar dos problemas que tem, inerentes a qualquer família, está bem viva e com força para o futuro. Há que ter em atenção que não estamos a falar de crianças de elite mas de jovens com problemas ”, disse ao CM o representante do Seminário do Porto, padre Manuel Mota. Ontem, tiveram também lugar uma exposição sobre a vida e obra do Padre Américo e uma missa em sua memória na Igreja de São Nicolau.
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