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Correio da Manhã

Portugal

Obesos sem apoio clínico

A maioria (87,6%) dos doentes com excesso de peso está em risco cardiovascular e não tem acompanhamento médico profissional, incluindo um endocrinologista, nutricionista ou psicólogo.
31 de Março de 2008 às 00:30
Apenas 12,4% dos obesos em risco cardiovascular é acompanhado
Apenas 12,4% dos obesos em risco cardiovascular é acompanhado FOTO: direitos reservados

Esta é uma das conclusões do estudo sobre obesidade na população em risco cardiovascular realizado pelo Centro de Estudos e Avaliação em Saúde, um organismo da Associação Nacional das Farmácias (ANF), tendo sido o inquérito feito em parceria com um laboratório farmacêutico.

Durante a investigação foram inquiridos 980 doentes, com um índice de massa corporal (IMC) – relação entre peso e altura – igual ou superior a 25, que se apresentaram em 79 farmácias, de todo o território nacional. Estes doentes tinham receita de medicamentos para o tratamento da hipertensão arterial e colesterol elevado. O inquérito foi feito em meados de Maio de 2007.

Outra das conclusões do estudo aponta para a maioria dos doentes (75,4 %) ter um risco muito elevado de complicações do metabolismo.

Segundo os dados da Associação Nacional das Farmácias, 12,4% de doentes obesos em risco cardiovascular tem acompanhamento profissional. Contudo, destes, 47,9% dos pacientes são acompanhados pelo médico de clínica geral; 32,2% pelo nutricionista e 18,2% pelo farmacêutico. Percentagens menores têm ajuda de endocrinologistas e de psicólogos.

Após a análise dos dados, verifica-se que a ajuda de um profissional de Saúde surge num estado avançado da obesidade, pois 53% dos inquiridos é já considerado obeso – têm um IMC igual ou superior a 30. A média é de 18.

Segundo o médico cardiologistaManuel Carrageta, presidente da Fundação Portuguesa de Cardiologia (FPC), os obesos com um índice de massa corporal 28 têm um risco três a quatro vezes mais elevado de vir a ter cardiopatia isquémica (angina de peito, enfarte do miocárdio e morte súbita), acidente vascular cerebral (AVC)e diabetes.

A obesidade abdominal é mais frequente no homem e é mais significativa como factor de risco do que a obesidade mais generalizada. No entanto, a obesidade de IMC superior a 50 tem graves consequências para a saúde, independentemente da distribuição regional da gordura.

Para além da falta de acompanhamento profissional, há outras falhas na assistência aos obesos, denunciadas ontem pela Associação de Doentes Obesos e Ex-Obesos de Portugal – vários hospitais pararam com as consultas no tratamento da obesidade para controlar as lista de espera em cirurgia.

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