Roubada com violência por esticão, na última semana, uma mulher reconheceu o assaltante ao passar junto a um centro comercial em Odivelas, anteontem à noite. Descreveu à polícia "um jovem negro, com cabelo amarelo", e os agentes da PSP foram identificá-lo.
Esmaila Seide Bá, 21 anos, é guineense e tem ordem de expulsão do País. Por isso, não se quis identificar. Deu origem ao tumulto que juntou 60 pessoas à porta da esquadra e que levou a oito detenções - além de 16 identificados por desacatos. Esmaila e cúmplices acabaram libertados, três deles, já ontem, pelo Tribunal de Loures - mas, ao que o CM apurou, estão todos referenciados por crimes violentos.
No caso de Esmaila, que o juiz deixou à solta com apresentações quinzenais na PSP, é suspeito de pelo menos sete roubos por esticão - um dos quais levou a que os agentes o fossem identificar anteontem. Os cúmplices deram-lhe protecção, "numa zona que tomam pelo seu território", dizem fontes policiais, e os polícias foram ameaçados de morte.
Os crimes dos oito detidos, todos já em liberdade, variam entre ameaças, incitação à violência, alteração de ordem pública, insultos, desacatos e tentativas de agressão à PSP. No caso de cinco dos suspeitos, a investigação baixou a inquérito. E ontem não foram sequer ouvidos. Ficaram notificados para se apresentarem hoje em tribunal.
Ontem, enquanto os suspeitos já viam as suas situações resolvidas pela via judicial, a reportagem do CM encontrou várias pessoas em Odivelas, principalmente os comerciantes, que se queixaram da insegurança que sentem e vivem nas ruas da cidade. Maria de Lurdes Bonito, reformada, contou como foi assaltada em plena luz do dia, há cerca de dois meses, com violência.
"Eu e o meu marido estávamos a passear junto ao rio e eu levava um fio de ouro. Foi tudo muito rápido, quando dei por mim já os três miúdos - com cerca de 15 anos - se afastavam a correr com o meu fio", recordou a vítima de assalto.
Embora esta tenha sido a primeira vez que foi assaltada em Odivelas, Maria de Lurdes revelou que são vários os seus vizinhos que já foram alvo de roubos por esticão. "Muitos dos meus vizinhos já foram aqui roubados também durante o dia, principalmente por causa dos objectos de ouro". Maria de Lurdes confessa que "Odivelas está a ficar cada vez mais perigosa". Opinião partilhada pelos vários comerciantes já assaltados.
AGENTES AMEAÇADOS DE MORTE
Os agentes da PSP que tentaram proceder à identificação do suspeito de roubo foram, por várias vezes, injuriados e ameaçados pelos cúmplices que se recusavam a cooperar. Dado que muitos dos jovens já são conhecidos dos agentes, as ameaças tornaram-se pessoais. Um suspeito chegou mesmo a afirmar que conhecia os hábitos de um dos agentes e que este deveria ter cuidado. Outro dos suspeitos proferiu ameaças de morte enquanto tentava agredir, com socos e pontapés, um dos polícias. A acção da PSP foi dificultada por vários populares.
"HÁ MUITA INSEGURANÇA"
"Há muita insegurança e cada vez mais assaltos em toda esta zona". É assim que Isaura Rodrigues, proprietária de uma loja de venda de telemóveis, descreve ao CM a situação que se vive em Odivelas.
Num espaço de quatro anos, o seu estabelecimento comercial já foi assaltado duas vezes, a última das quais em Dezembro passado.
"Eram três jovens. Entraram e fingiram ser clientes interessados nos telemóveis mais caros que estavam na montra", conta a mulher, de 59 anos, acrescentando que quando o seu colega abriu a montra "eles encostaram-lhe logo uma faca nas costas e levaram tudo".
Isaura contou que também já a tentaram assaltar na rua quando passeava o seu cão no jardim junto ao rio. "Eu trazia um fio de ouro ao pescoço que chamou a atenção de um grupo de jovens. O que me valeu foi o meu cão, que se virou a eles", recorda. Situada na rua D. Dinis, esta loja junta-se a outros estabelecimentos que também já foram alvo de assalto no último ano - duas pastelarias, duas lojas de roupa e uma ourivesaria . O sentimento de insegurança e impunidade é partilhado por todos os proprietários que falaram com o CM.
DISCURSO DIRECTO
"RESPEITO PELOS POLÍVIAS", Jorge Resende da Silva, Comandante PSP Loures
Correio da Manhã - Com os incidentes de ontem [anteontem] foram tomadas medidas excepcionais de segurança?
Resende da Silva - Estamos a prever o policiamento normal para os próximos dias, isto é, não foi pedido reforço a outras divisões.
- Esta situação é normal nesta divisão?
- Estou convicto de que foi pontual. A recusa da identificação e reacção agressiva aos agentes não é habitual. Faz sentido a detenção.
- Considera que são necessários mais polícias para aquela zona?
- Mais importante que o número é o respeito pelos polícias e o cumprimento da lei.
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