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Correio da Manhã

Portugal
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OFICIAIS DAS FORÇAS ARMADAS AO LADO DOS EX-CHEFES

As conclusões do jantar que reuniu todos os ex- chefes militares do Exército do pós 25 de Abril, depois da saída de Silva Viegas do Exército, ainda gera reacções, mesmo que Durão Barroso tenha dito que "o assunto estava ultrapassado".
11 de Agosto de 2003 às 00:00
Ministro Paulo Portas volta a estar na mira dos militares, desta feita, dos oficiais
Ministro Paulo Portas volta a estar na mira dos militares, desta feita, dos oficiais FOTO: Natália Ferraz
Para a Associação de Oficiais das Forças Armadas (AOFA) não está. O comunicado emitido ontem pela associação é, no mínimo, contundente, contra quem coloca em xeque "a confiança indispensável nas relações de cooperação institucional em democracia e de uma correcta subordinação - e não submissão - das Forças Armadas ao Poder Executivo".
Numa frase elogiam a iniciativa: "Bem hajam, por isso, senhores generais". Quase que se poderia chamar um manifesto de apoio às posições críticas assumidas pelos ex-responsáveis militares que se juntaram à mesma mesa no dia 31 de Julho, e que serviu para contestar a política seguida pelo ministro da Defesa, Paulo Portas, e a sua alegada falta de respeito para com os militares. Mais, a AOFA não reconhece ao ministro, nem ao Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas "competências sancionatórias" às chefias militares .
Em resposta às declarações de Barroso - de que quem manda na Defesa são os políticos - e para contrariar "alguns articulistas" que passam "a ideia de um conceito hierarquizado de confiança mais próprio de um regime ditatorial", a AOFA diz que a subordinação não é sinónimo de submissão. No documento enaltecem as preocupações dos generais. E finalizam: "Apenas cabe ao Governo propor a exoneração dos chefes militares ao Presidente da República, o que não pode ser considerado acção disciplinar". Por isso, concluem:"Manter a confiança dos subordinados é condição essencial à liderança sob pena de existirem rupturas insanáveis".
AS DATAS DA POLÉMICA
31 DE JULHO
No final do jantar que reuniu os oito generais ex-CEME, depois do 25 de Novembro de 75, o general Loureiro dos Santos afirma que houve “uma intromissão do poder político na esfera militar”, na saída de Silva Viegas.
4 DE AGOSTO
Barroso deixa claro que quem manda na Defesa são os políticos e não os militares. No dia 2, o almirante Mendes Cabeçadas avisa que só ele e os chefes dos três Ramos “são os intérpretes legítimos” dos militares.
10 DE AGOSTO
A AOFA emite um comunicado de apoio a Silva Viegas e aos ex-CEME e afirma-se disponível para discutir o óbvio, a reforma das Forças Armadas. Mais, as associações profissionais devem ser ouvidas.
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