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Correio da Manhã

Portugal

OFICIAL DA PSP SUSPEITO DE AGREDIR A EX-NAMORADA

Um oficial superior da PSP, em serviço na Direcção Nacional da Polícia, está envolvido num caso de agressão ocorrido no dia 9 de Abril.
26 de Abril de 2003 às 00:00
O processo, em que o subintendente P. aparece como suspeito de ter agredido a sua ex-namorada, empurrando-a pelas escadas de um prédio nas Olaias, em Lisboa, foi já remetido pelo Comando Metropolitano de Lisboa da PSP ao Ministério Público, confirmou ao Correio da Manhã fonte policial. A vítima, M., 35 anos, sofreu um aborto espontâneo seis dias após a queda.
De acordo com o auto de notícia elaborado na noite de 9 de Abril, a que o CM teve acesso, agentes da PSP deslocaram-se à Rua Frei Bernardo de São Boaventura onde estaria um “colega em apuros”. Porém, no prédio, de três andares, os polícias encontraram uma mulher “prostrada no solo”, queixando-se do abdómen.
Junto à mulher, de 35 anos, estava um homem, que se identificou como amigo da vítima e que disse aos agentes ter visto a mesma ser “empurrada pelas escadas abaixo pelo seu namorado”.
Os agentes decidiram então bater à porta do presumível agressor, que de imediato terá começado a descer a escada recusando identificar-se. “O indivíduo declarou que se queria ir embora, que já tinha perdido muito tempo”, lê-se no auto de notícia.
Contudo, e antes de desaparecer, o homem acabou mesmo por identificar-se, retirando uma carteira profissional da PSP na qual se lia subintendente P. “Foi uma confusão, com barulho e coisas pelo chão”, contou ontem ao CM uma moradora do prédio. “Ver não vi, mas ouvi muito barulho”, referiu Maria Manuela Mota.
Fora das memórias da vizinha, mas bem claro no auto elaborado pela PSP, está que o suspeito regressou ao prédio “adoptando uma postura intimidatória”. De tal modo que, continua, “após ter olhado para o mesmo, a senhora (...) afirmou não querer nada desta Polícia e que tinha apenas escorregado na escada”.
Já no Hospital de S. José, em Lisboa, para onde tinha sido levada a vítima, a polícia fez nova tentativa de chegar à fala com M. Perante nova recusa, acabou por ser o amigo a explicar que o namoro da mulher com o suspeito tinha sido retomado há dois meses e interrompido há alguns dias. E que M. tinha vindo de Leiria a Lisboa para levar as suas coisas. E que estava grávida – seis dias depois, M. sofreu um aborto espontâneo.
No entanto, a presença do suspeito, que entretanto chegara ao hospital acompanhado, “intimidou bastante a testemunha”, que não falou mais. O CM tentou ontem chegar à fala com o subintendente P., mas o mesmo não se encontra em casa há cerca de uma semana.
SÓ QUERO ESQUECER
A ex-namorada do presumível agressor, M., residente em Leiria, não pretende falar sobre o caso, que teve “um final infeliz” e “só quer esquecer” o que se passou.
“Este assunto não me agrada, não me dá prazer nenhum falar dele, se pudesse ‘passar’ uma borracha e apagar o que aconteceu, era o que faria”, indicou ontem M. ao nosso jornal, adiantando que não fala “a ninguém” sobre o que lhe aconteceu.
As marcas físicas da agressão são ainda visíveis na mulher, que tem uma ligadura na mão esquerda. Além disso, está psicologicamente abalada e foi a chorar que repetiu várias vezes que não queria falar sobre o caso, nem que fosse revelado o seu nome ou a morada, pois “Leiria é uma cidade pequena”.
O amigo da vítima que a acompanhou a casa do presumível agressor também não quis falar sobre o assunto. “Sou demasiado amigo para contar coisas contra a vontade dela”, afirmou ao nosso jornal.
Na opinião da testemunha, a situação é “muito delicada” e ela está a “tentar esquecer” o que se passou no dia 9 de Abril.
“Há pessoas que se conformam com as situações, perdoam e não são vingativas. Ela é assim”, referiu a testemunha.
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