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Correio da Manhã

Portugal
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Oficina não é casa de correcção

A Oficina de São José (OSJ), no Porto, devia deixar de acolher os jovens enviados pelo Tribunal de Menores. Esta é a opinião do padre Lino Maia, presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS), a cuja rede pertence a OSJ.
28 de Fevereiro de 2006 às 00:00
“O ideal seria que voltasse a ter como objectivo acolher os órfãos e ajudar as crianças cujos pais não têm meios de subsistência”, acrescentou Lino Maia, frisando que dos 68 jovens que estão na instituição, 20 foram enviados pelo Tribunal de Menores e que a maioria dos restantes são os “chamados casos complicados das paróquias”.
“A Oficina não pode ser considerada como uma casa de correcção ou um reformatório. Não devia acolher jovens com antecedentes criminais. Não foi para isso que foi criadas”, observou
O presidente da CNIS disse ainda ao CM que o facto de os jovens não poderem trabalhar até aos 16 anos também ajudou a “desvirtuar” a imagem da OSJ: “Antes, as crianças tinham oportunidade de aprender uma profissão, como encadernação e carpintaria. Hoje em dia privilegia-se o estudo. Devia ser possível conciliar as duas vertentes”.
A concluir, Lino Maia assegurou ao CM que os jovens que –“por garotice, no início” e “maldade, no final” – mataram à pancada o travesti brasileiro Gilberto Salce Júnior (ver caixa), não vão voltar a ser internos da Oficina de São José.
PEDITÓRIO PARA TRASLADAR CORPO´
Os amigos de Gilberto Salce Júnior (na foto) estão a recolher fundos para trasladar o corpo para São Paulo, no Brasil, de onde era natural. Rute Bianca, do grupo de amigos do travesti/sem-abrigo, referiu ao CM que quem quiser contribuir para ajudar à despesa da trasladação (4210 euros) poderá enviar o donativo através da Abraço – a associação que a apoiou – já durante os próximos dias.
Gilberto Salce Júnior era conhecido por Gisberta e pelo diminutivo ‘Gis’. Após espectáculos de dança e de ‘strip-tease’ no Porto foi-lhe diagnosticado tuberculose. Esteve internado, no Porto e em Setúbal, com o apoio da Abraço. Passou esporadicamente por Lisboa e voltou ao Porto, onde morreu, assassinado por um grupo de 14 menores, após ter sido agredido e alvo de sevícias sexuais. ‘Gisberta’ nasceu em São Paulo há 45 anos.
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