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Correio da Manhã

Portugal
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'OLHÓ JORNAL ACABADO DE SAIR...'

"O jornal saiu agora. Olhó jornal acabado de sair.” Mais de 60 anos depois de ter começado a vender jornais, António Chaves da Silva, o ardina mais antigo de Lisboa, foi ontem homenageado na Casa do Alentejo, em Lisboa.
4 de Outubro de 2002 às 23:12
E foi à cidade alfacinha que o ‘Muído’ - alcunha que ganhou pela persistência com que vendia os seus jornais -, dedicou a maior parte da sua vida. Uma vida que se confunde com o próprio negócio da venda de jornais, no qual António Chaves da Silva, hoje com 75 anos, ganhou reconhecimento, por mérito próprio.

Antigo funcionário do vespertino ‘A Capital’, onde desempenhou igualmente as funções de distribuidor de jornais, António Chaves da Silva começou, desde tenra idade, a palmilhar vários pontos da cidade de Lisboa, onde deixou a sua marca, a par de outros grandes nomes da profissão.
“Andei pelo Chiado, pela Graça, Anjos, Martim Moniz, até ‘assentar praça’ junto ao Café Nicola. E, durante muito tempo, cheguei a trabalhar com o ‘Carlos dos Jornais’, que, além de ardina, foi um grande poeta popular”, explicou.

E, mais de seis décadas depois de ter começado, o braço do ‘Muído’ ainda se mantém em forma e capaz de causar inveja a um atleta de eleição. “O segredo está todo na forma como se embrulha o jornal”, assegura o ardina, antes de lançar o jornal para sítios, à primeira vista, considerados impossíveis, mas que, com ele, se tornam acessíveis.

Homenageado ontem pela Casa do Alentejo e pela Associação dos Ardinas, António Silva ganha hoje a vida a vender cautelas.
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