Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
5

ONDA TRAIÇOEIRA ATIRA DOIS AMIGOS AO MAR

Uma rapariga de 15 anos e um rapaz de 19, amigos, caíram ao mar, ao princípio da tarde de ontem, desaparecendo nas águas revoltas depois de terem sido derrubados por violentas ondas que os surpreenderam quando passeavam pelo paredão da Praia do Molhe, à Foz do Douro, no Porto.
11 de Setembro de 2003 às 00:00
O molhe que dá nome à praia, torna-se mais perigoso na altura das marés vivas.  Sem sinalização que o interdite, para  Paula Cristina e Hugo foi uma aventura fatal
O molhe que dá nome à praia, torna-se mais perigoso na altura das marés vivas. Sem sinalização que o interdite, para Paula Cristina e Hugo foi uma aventura fatal FOTO: Luís Lopes
Um grupo de cinco, constituído pelo Hugo José Carvalho, de 19, pela Paula Cristina, de 15 (as vítimas), os irmãos desta, o José Fernando, de 10 e a Ana Filipa, de 7, e uma outra amiga, a Patrícia, de 19, decidiram-se por uma ida à Praia do Molhe. Afinal, a Foz fica ali a dois passos do Bairro da Pasteleira Nova, onde todos residiam, e a tarde estava soalheira, convidando a uma passeata e ao divertimento.
Deambularam pela marginal, desceram à praia, observaram os banhistas e as pessoas que matavam o tempo nas esplanadas dos bares. Até que o Hugo se sentiu atraído pelo rebentamento das ondas na extremidade do molhe que entra mar adentro. São cerca de 50 metros de paredão que finalizam num patamar superior resguardado com varandins que constituem débil protecção. A Paula acompanhou-o na empreitada. Foram até ao limite do paredão, onde as ondas batiam cada vez com mais força, levantando nuvens de espuma que os salpicava e divertia. Até que, subitamente, uma vaga gigantesca os apanhou, projectando-os para o mar. Durante alguns segundos lutaram bravamente contra a forte ondulação, mas, exaustos, acabaram por desaparecer, perante o desespero dos que já vinham em seu socorro.
DESESPERO DURANTE AS BUSCAS
Rosa Freitas, de 43 anos, mãe da Paula Cristina, só soube o que se passara pelas 18h30, três horas após a tragédia. Vizinhos disseram-lhe que o marido, o electricista Elísio, de 46 anos, se sentira mal e acompanharam-na à praia. Quando viu o marido, a chorar, ficou confusa. Rosa viu o helicóptero que pairava sobre o mar, olhou assustada o aparato de bombeiros e polícias que circulava diante dela e ouviu, sem acreditar, a má notícia que corajosamente a sua sogra lhe segredou ao ouvido. Os momentos de desespero que se seguiram viveu-os abraçada ao marido.
Além do helicóptero, foi mobilizado um navio-patrulha e dois botes do ISN, para além de uma equipa de sapadores--mergulhadores. Hoje pela manhã prosseguem as buscas.
CASOS FATAIS
“O perigo espreita a qualquer momento, em diferentes zonas da costa”, alerta ao CM o tenente Nuno Leitão, porta-voz do Instituto de Socorros a Náufragos, que tem registado inúmeros casos de pessoas surpreendidas pelas ondas em molhes ou pontões. Na maioria, as vítimas são pescadores.
01-11-1997 (LEÇA DA PALMEIRA)
Um polícia, fora do activo, 36 anos, caiu ao mar ao pescar, com dois amigos, no paredão de Leça da Palmeira. O corpo de José Mouco tardou em aparecer.
02-01-1998 (FIGUEIRA DA FOZ)
Um francês desapareceu e quatro salvaram-se agarrados a prancha de surf, surpreendidos por ondas no molhe da Figueira.
07-09-1998 (FIGUEIRA DA FOZ)
O mar muito alteroso arrastou 12 pessoas e dois automóveis no molhe da praia do Cabedelo. Os bombeiros resgataram as pessoas.
10-10-2001 (AVEIRO)
José Monteiro, 50 anos, de Santa Maria da Feira, pescava em S. Jacinto, Aveiro, quando foi arrastado. O corpo apareceu quatro dias depois junto ao Forte da Barra
30-10-2001 (AVEIRO)
Um homem desapareceu quando se encontrava a pescar no molhe da Meia Laranja, na Barra. Outros dois pescadores tiveram de se agarrar a uma corda.
04-03-2002 (FIGUEIRA DA FOZ)
Um pescador de Valongo foi arrastado por onda no molhe norte do porto da Figueira da Foz. Casimiro, de 51 anos, estava acompanhado de quatro amigos, a pescar.
16-06-2002 (PÓVOA DO VARZIM)
Uma portuguesa de 40 anos morreu por afogamento ao ser arrastada do molhe da Praia da Póvoa de Varzim devido à forte rebentação.
04-03-2003 (PENICHE)
António Júlio Faustino, 50 anos, morreu quando uma onda o arrastou. O homem estava em cima de rocha, no Baleal, a apanhar percebes.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)