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Correio da Manhã

Portugal
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Ordem investiga médico cubano

A delegação regional do Sul da Ordem dos Médicos (OM) está a investigar a actividade de um médico cubano que estará a dar consultas de oftalmologia em Vila Real de Santo António, no âmbito de um protocolo entre a autarquia e o regime de Fidel Castro.
1 de Fevereiro de 2008 às 10:00
Martins dos Santos, responsável regional da OM, disse ao CM que o médico não consta dos registos da Ordem, pelo que foram pedidas explicações à autarquia, “após o que será tomada uma posição”.
O médico Francisco Nuñez Ordoñez, que se recusou a falar com o CM, está em Vila Real de Santo António desde 25 de Janeiro, devendo observar doentes carenciados do concelho algarvio até 8 de Fevereiro.
Os diagnósticos de “âmbito social”, como os descreve o porta-voz da Câmara de Vila Real de Santo António, realizam-se diariamente no complexo desportivo municipal e devem abranger os 700 inscritos no programa, na sua maioria idosos.
O CM apurou que o especialista cubano entrou em Portugal com visto de turista, o que lhe permite a estadia no País, mas não o autoriza a exercer a profissão, por não estar inscrito na Ordem dos Médicos.
Fonte da autarquia garante que o médico “não está a praticar actos médicos”, esclarecendo que “não há violação da lei”, já que “são apenas diagnósticos gratuitos” na especialidade de oftalmologia, no âmbito da cooperação entre o município e a cidade de La Playa, que já permitiu a realização de três dezenas de intervenções cirúrgicas, em Cuba, a cidadãos vilarealenses.
Lucinda Agostinho, de 69 anos, foi uma das pacientes que ontem acederam ao complexo municipal para “ser observada” pelo clínico. Sofrendo de um derrame numa vista e cataratas na outra, soube que terá de ir a Cuba para ser operada. Um diagnóstico que um especialista, a quem pagou 75 euros, já fizera, mas “disse-me que tinha de ir a Coimbra e pagar milhares de euros, que não tenho”, desabafou. Está agora à espera da viagem para Cuba, a expensas do município, que descreve como “uma dádiva de Deus”.
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