Paula Teixeira da Cruz, candidata à distrital de Lisboa da Ordem dos Advogados, ficou conhecida do grande público pela participação no programa ‘Em Legítima Defesa’, onde fazia frente a Miguel Sousa Tavares, e pela sua acção enquanto vereadora do PSD na Câmara de Lisboa. Mas o que gosta mesmo é da advocacia.
Correio da Manhã – O que a leva a candidatar-se?
Paula Teixeira da Cruz – Várias razões. A primeira é que se avizinha um triénio muito complicado para o sector da Justiça. Estão em curso várias reformas em sectores extremamente importantes, caso da reforma da Acção Executiva ou do Contencioso Administrativo, que estão a colocar problemas muito complexos. Vem aí o novo Regime de Acesso ao Direito e é preciso aperfeiçoar uma cultura de cooperação entre todos os operadores judiciários.
Do ponto de vista da advocacia, que missão a espera?
Há uma questão preocupante, que é a da jovem advocacia. É preciso criar condições para reestruturar a profissão, sob pena de nos descaracterizarmos completamente. Os números são impressionantes: 49 por cento dos advogados estão em Lisboa. Até aos 30 anos, num total de 2415 advogados, 685 são homens e 1730 são mulheres; dos 30 aos 35 anos há 779 homens e 1389 mulheres. A tendência só se inverte a partir dos 40 anos. Estes números são claros e colocam novos problemas.
Que tipo de problemas?
Há aspectos que se prendem com o exercício profissional que são próprios e específicos, designadamente o problema da maternidade. Até agora, esta situação tem estado sustentada num exercício liberal puro e duro. Mas há aqui um conjunto de preocupações sociais que vamos ter de prever.
Num âmbito mais vasto, além das reformas em curso o que mais a preocupa?
Vivemos num País que tem ainda Uma organização judiciária que data do tempo de D. Maria, com meras alterações e remendos.
Mas a organização judiciária está a ser revista.
É verdade, mas há uma total desadequação de tudo. Temos, por exemplo, uma reforma ambiciosa e salutar como é a do Contencioso Administrativo, mas temos também uma organização judiciária antiga e desfasada. Depois, a própria organização dos tribunais administrativos, que supostamente ia na senda das especializações, foi de alguma forma pervertida em nome de um economicismo reinante na Justiça.
Que soluções podem encontrar-se?
Basicamente, é uma questão de organização e de afectação de meios.
Mas se não há dinheiro para investir...
Não é um problema que se resolva com dinheiro, mas com planeamento. É preciso conceber o sistema na sua integralidade, e não esquecer que a Justiça se auto--sustenta em mais de 50 por cento, através do cofre dos tribunais e do cofre dos conservadores e notários. A Justiça é a saúde do Estado, como dizia o Platão, e se há alguma coisa que não pode periclitar é justamente a saúde.
A sua carreira na advocacia vai ficar por aqui? Tem ambições de chegar a bastonária, por exemplo?
Não faz parte dos meus objectivos, que são extremamente simples. Continuar a ter o meu escritório, tal como até agora. A minha candidatura surge numa óptica de solidariedade e não de carreira. Mas pretendo marcar a diferença.
“SOU REPUBLICANA, O MEU MARIDO MONÁRQUICO”
Tem vontade de regressar à política?
Nenhuma. Não abdico da intervenção política, mas do que não abdico mesmo é da minha actividade profissional.
Como concilia a profissão com a família?
Com muito auxílio de todos. Eu e o meu marido temos um relacionamento com os nossos filhos de grande cumplicidade. Já tive dúvidas, mas hoje tenho a certeza de que o importante não é a quantidade de tempo – é a qualidade de tempo. Fomos construindo uma relação permanente e até diversificada.
Estão sempre de acordo?
Não é segredo para ninguém que eu e o meu marido temos perspectivas diferentes no que respeita a várias questões.
Pode dar um exemplo?
Quando os nossos filhos andavam na escola primária, uma da questões recorrentes que constava do programa era o 5 de Outubro de 1910. E o 5 de Outubro visto por uma republicana como eu é diferente do 5 de Outubro visto por um monárquico como o meu marido. Temos uma relação muito curiosa.
Paula Teixeira da Cruz nasceu em Angola há 44 anos. Casou-se com Paulo Teixeira Pinto, ex-secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros e um dos principais conselheiros do Governo de Cavaco Silva. Tem dois filhos, a Catarina, de 20 anos, e o Paulo, de 18.
É sócia-advogada da Serra Lopes, Cortes Martins & Associados. Milita no PSD desde 1995 e foi vereadora da Câmara Municipal de Lisboa (onde ganhou fama pela oposição que fez a João Soares). É membro do Conselho Superior de Magistratura.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.