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Correio da Manhã

Portugal
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Orlando Figueira assume coautoria dos crimes

Ex-procurador do DCIAP está acusado de corrupção no processo Fizz.
Débora Carvalho 24 de Janeiro de 2018 às 11:46
Orlando Figueira
Procurador Orlando Figueira
Orlando Figueira
Procurador Orlando Figueira
Orlando Figueira
Procurador Orlando Figueira

Orlando Figueira, o ex-procurador do DCIAP acusado de corrupção no processo Fizz, assumiu esta quarta feira a coautoria dos crimes de fraude fiscal e branqueamento de capitais em coautoria com o presidente do banco privado atlântico em Luanda, Carlos Silva.

O ex-magistrado revelou que quando soube da investigação tentou corrigir a sua situação fiscal, já que não tinha declarado dinheiro enviado para uma conta em Andorra.

Em abril de 2015, por indicação do banqueiro, teve a primeira reunião com o advogado Daniel Proença de Carvalho. Segundo Orlando Figueira, Proença se Carvalho terá dito que iria resolver a situação e que estava lá para resolver os problemas futuros e não para falar do passado. Terá dito ainda que ao pagar os impostos em atraso iria resolver situação do ex-procurador. 

Carlos Silva terá dito que Proença lhe ia dar emprego.

Orlando figueira continua, pelo terceiro dia consecutivo, a tentar rebater cada ponto da acusação. Segundo o Ministério Público, Figueira terá sido corrompido pelo ex-vice presidente de Angola, Manuel Vicente.

O MP já admitiu extrair uma certidão do processo se surgirem factos que suscitem a investigação de Proença de Carvalho e Carlos Silva. Ambos foram arrolados como testemunhas. 

Procuradora pede novos documentos
A Procuradora do Ministério Público, Leonor Machado, apresentou requerimento para solicitar nova documentação para juntar ao processo, nomeadamente a faturação detalhada do telemóvel de Orlando figueira, no período entre 2012 e 2015.

Orlando Figueira pediu o levantamento de sigilo do seu antigo advogado Paulo Sá e Cunha para que este possa confirmar as reuniões nas quais falaram sobre o advogado Proença de Carvalho e o banqueiro Carlos Silva.

Arguido diz já ter regularizado impostos em falta
Na sessão desta quarta-feira, Orlando Figueira, que está a ser julgado por corrupção, branqueamento, falsificação e violação do segredo de justiça, diz já ter liquidado os 89 mil euros de impostos.

Questionado mais uma vez pelo juiz presidente do coletivo, Alfredo Costa, sobre a atitude de Carlos Silva, que segundo o arguido, lhe estragou a vida e não cumpriu o que estava definido, Orlando Figueira argumentou com denúncias do jornalista e ativista angolano Rafael Marques e com notícias que o davam como estando de saída do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP).

"Quero crer que no início a intenção de Carlos Silva era séria, mas depois Rafael Marques fez denúncias e houve notícias da minha saída do DCIAP e isso deu origem a uma mistura explosiva", comentou o ex-procurador, adiantando que a ideia inicial era ir trabalhar para Angola para substituir Paulo Marques no BPA.

O juiz Alfredo Costa insiste e diz que o que transparece é que Orlando Figueira é ingénuo porque não encaixa uma razão, um motivo para tudo o que aconteceu.




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