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Correio da Manhã

Portugal
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Os filhos são a maior felicidade

Personalidades de diversos quadrantes da sociedade portuguesa, entre as quais o médico Daniel Serrão, o actor Ruy de Carvalho e a ex-atleta Aurora Cunha, juntaram-se ontem numa mesa no Porto para discutir o aborto. A tendência geral foi para uma resposta negativa à pergunta do futuro referendo.
26 de Novembro de 2006 às 00:00
Ruy de Carvalho, Aurora Cunha e Daniel Serrão
Ruy de Carvalho, Aurora Cunha e Daniel Serrão FOTO: José Rebelo
“Ser mãe é tão mais lindo do que fazer um aborto. A maior felicidade que tenho são os meus filhos”, disse Ruy de Carvalho no debate realizado no centro de dia da Paróquia de Paranhos, em que estiveram também presentes o ex-vereador da Câmara do Porto, Paulo Morais, e Alexandra Teté, presidente da Associação Mulheres em Acção.
Houve quem apelasse à abstenção, como Paulo Morais, para quem o povo já se “pronunciou uma vez e, portanto, começa a passar a ideia de que haverá tantos referentes quantos os necessários para aprovar o que os políticos querem”. Para Morais não devia haver lei sobre a matéria e o Estado não devia promover o aborto no Sistema Nacional de Saúde.
Mãe de oito filhos, Alexandra Teté diz ser conhecedora do que são as dificuldades da maternidade, mas mesmo assim é pela vida. “Irrita-me que se diga que em Portugal não há dinheiro para nada, mas para o aborto já há”, disse, acrescentando “que se levantou a ideia de que as mulheres são presas por causa do aborto, mas não conheço ninguém que tenha sido”.
Já o médico e professor universitário Daniel Serrão põe a tónica do combate ao aborto na prevenção, para que as mulheres não sejam obrigadas a fazê-lo. Acrescentou que a sociedade deve encontrar formas de proteger as mulheres carenciadas. “Não é o aborto que resolve muitas das situações precárias em que a mulher se encontra porque depois do aborto pode continuar a ser violada e maltratada”, disse.
APONTAMENTOS
PERGUNTA
Serrão disse que a pergunta aprovada pelo Tribunal Constitucional não é clara porque “pergunta uma coisa e esconde outra, pondo o acento no tema da prisão”.
CARTA
No final do debate foi feita uma apresentação em que um feto de semanas ‘escrevia’ uma carta à mãe, que ia abortar, dizendo que não queria morrer e que gostava muito dela.
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