“Os gritos estão na minha cabeça”

Mulher lembra tragédia em Tires e desespera por casa que ficou destruída.
Por Ana Botto e Magali Pinto|28.05.17
Maria de Fátima Rosa salvou a vida do neto Martim poucos segundos antes de uma das asas da avioneta, que caiu no dia 17 de abril, em Tires, rasgar a sala de estar. Mais de um mês depois, o menino de dois anos e a família continuam sem poder voltar a casa. Do acidente resultaram cinco mortos - quatro passageiros e o condutor de um camião que foi atingido pela aeronave, que após a queda se incendiou.

"Já estiveram cá os peritos a avaliar os estragos. Eles disseram-me que estão a aguardar o fim das investigações para que a reconstrução da minha casa comece. Espero que o processo arranque antes do final do verão. Se a minha casa ainda não está a ser reconstruída é por causa da investigação. Não morreu ninguém da minha família mas eu estou a viver o luto. Os gritos dos passageiros ainda estão na minha cabeça", contou ao CM Maria de Fátima Rosa, que vive com a ajuda de várias pessoas, da junta, da câmara e da Segurança Social.

A família está agora num bairro social e já fez o levantamento dos estragos. "As minhas máquinas ficaram em miniatura. Vamos agora enviar os orçamentos do valor da reconstrução da casa. Os orçamentos vão ser depois analisados pelos peritos da seguradora Allianz. É a seguradora que vai pagar a casa. Eu fui para aquela casa quando tinha 17 anos. Eu e o meu marido fazíamos hoje a casa de banho, amanhã um quartinho e foi assim durante 47 anos. Acredito que vou ter a casa de pé, com paredes novas e um telhado novo", concluiu.


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