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Correio da Manhã

Portugal
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OURIVESARIA ROUBADA

O dono da ourivesaria é o senhor com o penso na cabeça. Ontem, às vinte para as onze da manhã, parou um carro azul à porta, na Rua Primeiro de Maio, na fronteira de Lisboa com Moscavide.
24 de Junho de 2004 às 00:00
Lá de dentro saíram três homens, cara tapada e armas na mão. Entraram e disseram ao que vinham: “Isto é um assalto!”. Em dois minutos, agrediram duas pessoas e fugiram com milhares de euros em ouro. Para trás, ficaram muitas gotas de sangue no passeio e na loja.
Manuel Fragoso, o dono da ‘Ourivesaria Alfredo’, estava ao balcão a ler o jornal. O seu cunhado, Vítor Casimiro, estava numa pequena sala a mudar as pilhas aos relógios. Nem houve tempo de accionar o alarme. “Pensei que fosse brincadeira, mas levei logo uma coronhada. Depois foi ele”, conta Manuel, 65 anos, agredido com uma pistola. Ao cunhado, de 64 anos, sucedeu o mesmo, mas com uma caçadeira .
Os assaltantes, jovens, ignoraram quase tudo. O ouro e os relógios nas montras e também as peças no expositor do balcão. “Parece que sabiam. Foram logo às gavetas buscar o ouro”, descreve o dono da ourivesaria, o tal do penso, ao apontar para a pequena sala, onde está o móvel, as gavetas e onde estavam as peças de ouro. “Não sei ao certo, eram duas caixas... Quase 60 mil euros.”
Os homens, negros, fugiram num Honda Civic furtado – o carro azul que ficou à porta, de motor ligado e com um quarto rapaz ao volante - que tomou a direcção de Lisboa, pela Primeiro de Maio.
De vez em quando, Manuel Fragoso leva a mão à face. “Estive sempre a gritar e levei. Acho que me partiram um dente.” O cunhado, que ainda conseguiu chamar a PSP, foi levado ao hospital para tratar os ferimentos na cabeça.
AS MORTES E O CRIME
“Isto está bonito, está. Dois mortos e um assalto”, desabafava, para quem o quisesse ouvir, um dos muitos populares que, ontem de manhã, pararam junto à Ourivesaria Alfredo. Foram, de facto, horas agitadas em Moscavide. Já depois de duas pessoas terem falecido na via pública, ambas vítimas de doença, surgiu o roubo. “É incrível”, dizia uma mulher, sem reparar que pisava o sangue seco no passeio.
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