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Correio da Manhã

Portugal
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Padre condenado a multa por agredir mulher

O Tribunal da Lousã condenou esta quarta-feira a 150 dias de multa um padre acusado de ter agredido uma mulher de 62 anos na disputa de uma capela do concelho que esta diz pertencer à sua família.
7 de Março de 2012 às 19:28
Tribunal da Lousã condenou esta quarta-feira a 150 dias de multa um padre acusado de ter agredido uma mulher de 62 anos na disputa de uma capela do concelho que esta diz pertencer à sua família
Tribunal da Lousã condenou esta quarta-feira a 150 dias de multa um padre acusado de ter agredido uma mulher de 62 anos na disputa de uma capela do concelho que esta diz pertencer à sua família FOTO: Arquivo CM

Ao dar como provados os factos de que o sacerdote Paulo Filipe, de 37 anos, era acusado por uma vizinha, o tribunal aplicou ao arguido uma pena de multa de 150 dias, a oito euros por dia (1.200 euros), mais o pagamento de indemnização cível de 1.500 euros à vítima.

"O tribunal fica claramente com a convicção de que o senhor praticou os factos de que era acusado", disse o juiz esta tarde, no final da leitura da sentença.

O magistrado realçou que a comunidade espera de um sacerdote católico uma determinada "conduta moral", que Paulo Filipe pôs em causa quando agrediu a queixosa, cometendo um crime de "ofensa à integridade física simples".

O tribunal "não tem dúvidas de que o arguido quis e conseguiu agredir a demandante", acrescentou.

Residente no Soutelo, uma povoação da freguesia de Serpins, concelho da Lousã, a mulher queixou-se de ter sofrido, designadamente, uma lesão num olho, diagnosticada pelos médicos, além de outras nos membros.

Colocado há alguns anos na paróquia da Pampilhosa da Serra, interior do distrito de Coimbra, o padre continua ligado ao Soutelo, sua terra de origem, onde tem família.

Com licença do pároco de Serpins, Paulo Filipe costuma celebrar missa na capela local, cuja propriedade a queixosa reivindica para a sua família, enquanto o padre a pretendia alegadamente integrar nos bens da Fábrica da Igreja de Serpins, um litígio que dura há vários anos.

No dia 14 de Dezembro de 2010, uma discussão entre ambos, na via pública, acabou em violência.

 


O arguido afirmou, durante o julgamento, que estava no barbeiro, em Serpins, a cortar o cabelo, à hora em que ocorreram os factos descritos na acusação, versão que foi rejeitada pelo tribunal.

"Não me revejo nesta sentença, pura e simplesmente. Estou com as mãos limpas", declarou o arguido aos jornalistas à saída da sala de audiências.

A sua advogada, Ana Almeida Santos, disse que o seu constituinte irá recorrer da decisão para o Tribunal da Relação de Coimbra.

"Não estava à espera. Há notórias discrepâncias entre as testemunhas", referiu.

Já a advogada da ofendida, Luísa Basílio, mostrou-se satisfeita com o desfecho do julgamento. "Fez-se justiça neste tribunal", observou.

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