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Correio da Manhã

Portugal
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PADRE CRIA EMPREGO NO INTERIOR DO PAÍS

António Gonçalves é um daqueles padres com espírito empreendedor e que entende que "não vale a pena pregar para estômagos vazios". Por isso, quando, em 1990, tomou conta das paróquias de Molares, Vale de Bouro e Gagos (Ourilhe veio mais tarde), no concelho de Celorico de Basto, tratou de deitar mãos à obra.
2 de Dezembro de 2003 às 00:00
O padre António Gonçalves é conhecido como 'padre empreiteiro' mas isso não o incomoda nada
O padre António Gonçalves é conhecido como 'padre empreiteiro' mas isso não o incomoda nada FOTO: Secudinho Cunha
E a verdade é que estava tudo por fazer. As residências estavam velhas, as igrejas a degradar-se, os arruamentos eram caminhos em terra, não havia lares, infantários, centros sociais ou salões paroquiais.
Sem dinheiro, em terras pobres e com tanto por fazer, resolveu 'transformar' as paróquias em autênticas empresas, a começar pela área da construção civil.
"Se entregasse as obras a empresas, nunca mais as conseguia pagar. Assim, fomos fazendo por administração própria e, para além de darmos emprego às pessoas da terra, fazêmo-las por menos de metade do preço", disse ao Correio da Manhã o padre António Gonçalves.
Hoje apresenta três igrejas recuperadas, três centros sociais, com um lar de idosos e dois infantários, dois salões de festas, uma residência paroquial e uma pousada da juventude. Com 25 funcionários por sua conta, gere mais de 400 mil euros por ano e, em doze anos, ergueu um património avaliado em mais de três milhões de euros. Não se importa que lhe chamem 'padre empreiteiro' porque, diz, "tudo é feito para o bem das comunidades".
ESTADO AJUDA POUCO
As ajudas do Estado foram, até à data, de 100 mil euros, no âmbito da construção do lar e dos centros de Actividades e Tempos Livres para as crianças, o que representa "uma gota no oceano", lamenta o sacedote.
Também os empresários da região são grandes beneméritos desta obra, mas esses preferem contribuir em "géneros", como cimento, tijolos, camiões de areia, tijoleiras, loiças sanitárias e mobílias.
"Tudo é bem-vindo", diz o sacerdote, acrescentando que "a criação de estruturas é também uma forma de evangelização".
AJUDAS E TRABALHO
O dinheiro não lhe cai do Céu. Para fazer todas estas obras, algumas belas peças de arquitectura e todas em granito (o material por excelência da região), o sacerdote António Gonçalves teve de arregaçar as mangas e bater à porta de muitos amigos.
"Tenho os melhores amigos do mundo; sem eles isto não teria sido possível", diz o padre, sem esconder a satisfação que sente pelo trabalho realizado. Para além de jogadores de futebol, como Cadete, Nelson, Ademir e Soeiro, ou actores, como o falecido Armando Cortês, muitas têm sido as pessoas a colaborar financeiramente nos projectos do padre António.
Boa parte das receitas advêm da realização de festas e outras acções de angariação de fundos, como sorteios e leilões, assim como da exploração de um bar e do aluguer de salões para iniciativas festivas e culturais.
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