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"Não é o arguido que decide ter Alzheimer": advogado de Ricardo Salgado pede "respeito". Siga o julgamento ao minuto

Julgamento do ex-banqueiro prossegue esta sexta-feira com mais uma sessão, depois do pedido de suspensão do julgamento devido a diagnóstico de Alzheimer ter sido negado.
Débora Carvalho e Lusa 22 de Outubro de 2021 às 10:33
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"Dizem que é alzheimer, mas eu até pensava quer era surdez": Padre Avelino à saída do julgamento de Ricardo Salgado
O julgamento do ex-banqueiro Ricardo Salgado prossegue esta sexta-feira com mais uma sessão, depois do pedido de suspensão do julgamento devido a diagnóstico de Alzheimer ter sido negado esta quinta-feira pelo juíz.

O padre Avelino Pereira Alves, conhecido como o 'padre motard', de 69 anos, já testemunhou. 

"Conheço-o há mais de 20 anos. Quase todos os domingos nos encontrávamos na missa, falávamos da igreja e da família. Homem íntegro. Homem com regras, de um porte firme. Convivi com ele nos momentos difíceis. Nunca fugi, um amigo não foge quando mais se precisa. Ele quis contar-me o que aconteceu e eu não quis saber. A amizade está acima de tudo. Disse-me que a coisa que mais lhe fazia sofrer eram os lesados e que tinha a solução, mas não lhe deram tempo."

Segundo o padre, além de ter partilhado almoços e jantares em casa do antigo líder do BES, Ricardo Salgado "sempre foi uma pessoa com regras", de "grande confiança" e cujo "porte firme" reconheceu admirar.

"Um homem íntegro, com valores e regras humanas e sociais bem definidas", descreveu Avelino Pereira Alves, enfatizando a relação de amizade entre ambos: "Convivi com ele nestes momentos mais difíceis porque os amigos não devem fugir nestas ocasiões. Nestas adversidades ele tentou explicar o assunto, mas eu não quis saber. A nossa amizade está acima dessas controvérsias".

À saída do tribunal, o padre reconheceu ainda que Salgado tem falhas de raciocínio e memória. O ex-presidente do BES diz que sofre de doença de Alzheimer.

O advogado de Ricardo Salgado criticou hoje a decisão do coletivo de juízes de não suspender o julgamento do ex-banqueiro, depois de ter sido apresentado um atestado médico que certificava o diagnóstico de Doença de Alzheimer do arguido.

Em declarações à entrada do Juízo Central Criminal de Lisboa, no Campus da Justiça, Francisco Proença de Carvalho pediu "respeito" pela condição do antigo presidente do Grupo Espírito Santo, de 77 anos, e contestou a posição do tribunal, que entendeu que não havia uma limitação da capacidade de defesa do arguido.

"A doença de Alzheimer não é uma opção de um arguido, não é uma opção de uma pessoa. Não é o arguido que decide ter Alzheimer, não foi o doutor Ricardo Salgado que decidiu ter esta doença, não foi o doutor Ricardo Salgado que decidiu autolimitar o seu direito de defesa, a sua possibilidade de prestar declarações, é a doença de Alzheimer que, infelizmente, afeta milhares de pessoas em Portugal", afirmou.

Defendendo o trabalho da defesa pela "demonstração da verdade" e pela "preservação da dignidade humana", o advogado considerou que o problema de saúde de Ricardo Salgado é "inequívoco", como preconizava o requerimento submetido no dia 14 de outubro a pedir a suspensão da ação.

"O que espero dos tribunais é que sejam tribunais e que não julguem como se estivessem numa rede social, como se estivessem numa caixa de comentários de um tabloide, porque isto é a defesa de todos nós que está em causa e peço respeito por isso", reiterou.

Ricardo Salgado BES Alzheimer
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