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Correio da Manhã

Portugal
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PADRE ESPANCADO POR RECUSAR FUNERAL

A população de Sendim, em Tabuaço, está privada de missas há duas semanas, na sequência de divergências entre uma família da terra e o pároco, que acabou por ser agredido.
29 de Junho de 2004 às 00:00
O conflito surgiu quando o padre Filipe Gonçalves, de 73 anos, não pôde fazer o funeral de uma idosa, o que desagradou aos seus familiares, alguns dos quais o terão agredido.
Adelina da Conceição faleceu no dia 8 e a sua família queria que o funeral fosse no Dia de Corpo de Deus, 10 de Junho. “Não tinha disponibilidade para marcar o funeral. Nesse dia tinha três procissões e três missas”, disse ontem Filipe Gonçalves.
No entanto, “autorizei que a cerimónia fosse realizada por outro padre, desde que não coincidisse com o momento da procissão”, adiantou o religioso, explicando que foi celebrada pelo pároco de Paradinha.
Dois dias após o funeral, as relações entre a família da falecida e Filipe Gonçalves pioraram. No final da missa, o carro do pároco apareceu com uma porta danificada e papéis colados. E, nesse dia, quando se preparava para comunicar o caso à GNR, foi atacado por quatro homens que lhe “encheram o corpo de pancada, com murros e pontapés”, obrigando-o a receber assistência no Centro de Saúde de Moimenta da Beira e no Hospital de Lamego.
Segundo a vítima, que apresentou queixa na GNR de Tabuaço e vai levar o caso a Tribunal, os presumíveis agressores são quatro homens da família de Adelina da Conceição.
Ilídio Trindade, antigo sacristão e genro da falecida, desmente as acusações, frisando que os familiares só tentaram pôr cobro ao que se estava a passar”, embora critique as atitudes “menos correctas do padre, por não ter querido fazer o funeral”.
O padre Filipe Gonçalves já recebeu a solidariedade dos seus cinco colegas da região e a população quere-o de volta.
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