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Correio da Manhã

Portugal
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PAGAMENTOS CHORUDOS PARA AFASTAR INIMIGOS

Defina-se a indemnização a concretizar que o presidente paga. Ele não os quer é voltar a ver no quartel." Palavras do representante de Ilídio Pinto no tribunal arbitral aquando do acerto dos valores indemnizatórios de dois bombeiros, motoristas de ambulância, com contrato a termo incerto, que o presidente da direcção dos Bombeiros de Amarante suspendeu por discordarem da sua forma de gestão.
6 de Julho de 2004 às 00:00
Da esq. para a dir.: José Carlos Ribeiro (ex-comandante), Carlos e Júlio Macieira e Hélder Martins
Da esq. para a dir.: José Carlos Ribeiro (ex-comandante), Carlos e Júlio Macieira e Hélder Martins
Os factos remontam a Novembro de 2003. Ilídio Pinto destituiu de sócios dos Bombeiros nove indivíduos. Os irmãos Júlio e Carlos Macieira foram dois deles e receberam indemnizações altamente inflacionadas face ao que teriam direito, que Ilídio Pinto "nem se dignou a conferir". "O que lhe importava era ver-se livre de nós", explicou Carlos Macieira, para quem "o presidente não se importou de pagar fosse o que fosse porque estava a utilizar o dinheiro dos bombeiros e dos contribuintes para a sua vingança pessoal".
Júlio Macieira, bombeiro há 20 anos, foi afastado "por ser irmão de Carlos Macieira", que tinha tirado fotos à mulher do presidente quando esta fazia compras com o carro da direcção dos bombeiros (ver caixa). E não cala a sua revolta. "Quem fosse amigo do comandante e não alinhasse nas trapaças de Ilídio Pinto, tinha toda a gente à perna. Fui suspenso, recorri e o tribunal deu-me razão. Ilídio Pinto obrigou-me a estar três meses à porta do portão, ao frio, chuva e sol. Mais tarde, em tribunal, aceitou indemnizar-me por qualquer preço para se ver livre de mim."
Hélder Tiago Martins, outro dos nove destituídos, era bombeiro desde 1998 e foi suspenso "por ser amigo dos outros suspensos". Diz que a justificação para afastá-lo foi que "tinha tentado bater no segundo-comandante". "É uma acusação absurda, mas quem manda nos bombeiros é o presidente da direcção e todas as outras pessoas fazem o que ele manda. Recorri e estou à espera".
O CM voltou a tentar contactar Ilídio Pinto, mais uma vez em vão.
MULHER USOU CARRO DO QUARTEL A 'perseguição' a Carlos Macieira começou quando Ilídio Pinto descobriu que este tinha tirado fotografias numa grande superfície comercial. Mostravam a mulher do presidente a usar o carro da direcção dos bombeiros para carregar compras, como se estivesse com a sua viatura particular.
Carlos Macieira recorda essa altura. "Pediu as fotos, ameaçando-me. Disse que me tinha desfeito delas, mas não acreditou e colocou colegas a vigiar- -nos para saber com quem falávamos, impedindo-nos de comunicar com o comandante. Depois despediu-me, ao meu irmão e a um colega nosso."
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