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Correio da Manhã

Portugal
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Pai atinge filho a tiros de caçadeira

Um homem de 62 anos tentou matar a tiro, o filho, de 21, ontem, na Praceta Nossa Senhora dos Navegantes, na Costa de Caparica. O crime aconteceu um dia depois do filho Luís Henriques ter tentado agredir os pais com uma faca.
14 de Setembro de 2006 às 00:00
Joaquim Fidalgo, o pai, depois de agressões que se repetiam há muito, “perdeu a cabeça e disparou três tiros de caçadeira contra o filho”.
Segundo contaram os vizinhos da mercearia de que a família é dona, às nove e meia da manhã de ontem, e após um dos vizinhos ter falado do sucedido no dia anterior, o pai terá dito “ele hoje que não improvise comigo, porque senão não passa de hoje”.
Dentro da mercearia nova discussão. Ao que tudo indica, Luís já tinha bebido e depois de uma troca de palavras, o filho saiu e o pai foi atrás dele de caçadeira em punho, enquanto gritava transtornado, “é hoje!”.
O Luís mostrou arrependimento e gritou “Ó pai, desculpa”, contou ao CM uma das vizinhas que assistiu ao crime.
Um dos vizinhos tentou parar o comerciante exaltado, pedindo a Joaquim que se acalmasse, e “quando estava determinado a atirar na cabeça do filho acabou por virar a arma para baixo e acertar nas pernas”, conta quem viu.
Depois de disparar cinco tiros e acertar com três no filho, voltou para a mercearia e disse à mulher , Assunção Fidalgo, “podes ir ver o teu filho que já está morto”.
A população chamou de imediato as autoridades e Joaquim “saiu da loja com o Bilhete de Identidade na mão para se entregar à Polícia”.
Luís Henriques foi transportado para o Hospital Garcia d’Orta. Segundo o director clínico, o jovem apresentava “lesões várias na cabeça, membros, tórax e abdómen, mas o seu estado não inspira cuidado de vida”.
A PSP da Esquadra da Caparica, chamada ao local, deteve o homem e apreendeu-lhe a caçadeira. A arma está legalizada e o agressor tem carta de caçador.
A PSP apresentou Joaquim Fidalgo no Tribunal de Almada, para ser ouvido em primeiro interrogatório, desconhecendo-se, à hora de fecho desta edição, a medida de coacção que lhe foi aplicada.
TRAGÉDIA ATINGE FAMÍLIA POR TRÊS VEZES
Joaquim e Assunção Fidalgo estão casados há cerca de quatro décadas, mas a tragédia já tocou por duas vezes à sua porta com a morte por afogamento de dois filhos.
“Eles nunca tiveram apoio nenhum, por isso agora não se pode culpar só o filho. Esta família precisa de ajuda”, conta Manuela Iglesias, uma vizinha. Para esta mulher “os dois [pai e filho] deviam estar internados para uma desintoxicação, e a mãe com apoio psicológico”. Enquanto o CM esteve no local, Assunção esteve fechada dentro da mercearia. Uma das vizinhas que esteve com ela contou que ela estava “completamente em estado de choque, e acha que o marido chega mais logo para irem para casa”.
“O agressor não tem comportamento adequado à realidade, o que revela uma certa disfunção”, disse ao CM Filomena Brás, psicóloga criminal. “Por seu lado, o filho a viver neste ambiente de violência doméstica e alcoolismo, reflecte os alicerces que teve. Devido à excessiva protecção materna, não aceita ouvir um não, e ao mesmo tempo quis tomar uma atitude perante o pai que ele vê como agressor. Joaquim ao usar a caçadeira quis impor uma autoridade inexistente.” acrescentou a psicóloga.
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