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Correio da Manhã

Portugal
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Pai conhecia agressora

O pai da rapariga deficiente violada em Vialonga, Vila Franca de Xira, e a mulher que participou no crime são ambos de aldeias do concelho de Baião, no distrito do Porto.
1 de Dezembro de 2006 às 00:00
Mãe e filha, ontem, em Vialonga. Só querem esquecer o drama
Mãe e filha, ontem, em Vialonga. Só querem esquecer o drama FOTO: Natália Ferraz
A mãe da jovem violentada disse ao CM que o marido até tem um bom relacionamento com o pai da agressora. Esta relação foi utilizada pela mulher para se aproximar da jovem: convenceu-a a acompanhá-la a casa – onde ajudou o marido na violação.
O caso remonta ao início de Junho, quando aquela mulher, uma desempregada de 25 anos, se aproximou da rapariga deficiente mental, que celebra os 20 anos na próxima quarta-feira, alegando que gostava de lhe fazer companhia.
Após ganhar a confiança da jovem convenceu-a a ir a sua casa, situada na Fonte Santa, Vialonga, um bairro num monte onde apenas existem meia dúzia de casas, a alguns quilómetros da residência da deficiente.
Segundo a mãe da vítima, a situação ocorreu ao princípio da tarde do dia 6 de Junho. Desde esta altura e até à 10h30 de dia 8 a jovem esteve sequestrada naquela casa, onde foi violada pelo marido da mulher que se fez passar por sua amiga. O homem, de 30 anos, é operário da construção civil.
“Ela esteve aquele tempo todo só com uns calções de ganga e uma camisola de alças. Não tomou banho e só comeu três iogurtes”, disse ao CM a mãe da vítima.
Acrescentou que, depois de quase dois dias de buscas, foi a própria sequestradora que lhe telefonou a dizer que a filha tinha aparecido lá em casa a pedir ajuda.
Depois de alguns meses de investigações, o casal foi detido pela Polícia Judiciária na terça-feira. Marido e mulher foram presentes a Tribunal e saíram em liberdade com a obrigação de se apresentarem periodicamente na GNR e proibidos de contactar a vítima.
“Eu queria que eles tivessem ficado presos. Agora, tenho medo que eles, ou alguém da família, nos apanhem na rua e nos façam mal”, afirmou a mãe da vítima. Diz que só quer que os violadores da filha sejam severamente castigados por este crime, caracterizado por um inspector da PJ como brutal e chocante. A jovem foi sequestrada e violada durante cerca de 45 horas. A vítima foi submetida a um teste de gravidez, que deu negativo.
PORMENORES
ORIGENS
A jovem deficiente nasceu na Régua, a terra da mãe, trabalhadora numa lavandaria, de 40 anos. O pai, carpinteiro, de 42 anos, nasceu na aldeia de Furacasas, em Baião.
VIALONGA
A família mudou-se para a Vialonga há 12 anos, para onde também foi viver o pai da agressora. Este, entretanto, já regressou a Baião.
DEFICIÊNCIA
A mãe da vítima diz não saber que doença tem a filha, referindo apenas que tem “um atraso na idade”, o qual foi descoberto aos seis anos quando entrou para a escola.
DRAMA
A vítima esteve alguns dias com medo de sair à rua depois de ter sido resgatada. Agora, só quer esquecer as longas horas em que esteve sequestrada.
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