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Correio da Manhã

Portugal

PAI DE BEBÉ APARECE MORTO NUM POÇO

O corpo do alegado pai do recém-nascido encontrado morto no sábado à tarde em Pinheiro, Pousaflores, Ansião, foi descoberto ontem dentro de um poço. Delfim Simões, de 49 anos, casado, estava desaparecido desde a madrugada de sábado e o cadáver foi localizado pelas 16h50 num poço pertença da sua mãe, a 500 metros da casa onde vivia.
12 de Outubro de 2004 às 00:20
O corpo foi descoberto por familiares da vítima, que retiram a água em dois poços das redondezas para ajudar nas buscas, que estavam a ser feitas pela GNR e bombeiros, a conselho de um cunhado que chegara de Lisboa. “Nós já desconfiávamos que ele poderia estar ali”, explicou uma sobrinha.
Delfim Simões, que nas últimas semanas já havia afirmado por diversas vezes que se iria matar, é o alegado pai do recém-nascido do sexo feminino encontrado morto, também num poço, e cuja mãe foi ontem ouvida no Tribunal de Ansião.
A mulher, Otilina Antunes, de 28 anos, solteira, que tem três filhos menores de idade, terá afirmado às autoridades que o pai do recém-nascido era Delfim Simões e que foi ele quem assistiu ao parto, no último dia 22, e o atirou ao poço onde viria a ser descoberto. Pelos vestígios de sangue encontrados numa casa abandonada, a 50 metros, tudo indica que terá sido este o local onde a mulher deu à luz.
Este poço foi ontem esvaziado e no fundo encontrava-se um fogão, suspeitando-se que o bebé possa ter sido colocado no seu interior e depois atirado à água, conforme afirmavam algumas pessoas que assistiram às operações.
Alice Simões, mulher do falecido, que sabia da relação amorosa entre o marido e a mãe do recém-nascido, já desconfiava há algum tempo que ele seria o pai da menina. No entanto, quando confrontado sobre a paternidade do bebé, Delfim Simões negou-a sempre, embora nas “últimas semanas andasse muito esquisito”.
As discussões entre o casal agravaram-se e não será de excluir que o indivíduo tenha optado por pôr termo à vida devido aos remorsos que sentia e à possibilidade de ter de enfrentar a Justiça na sequência da morte do recém-nascido de tempo completo.
Na madrugada de sábado, pela 01h00, quando saiu de casa, “tirou tudo, até a navalha e o lenço de mão. Calçou umas galochas e disse que ia desaparecer para sempre”, recordou ontem Alice Simões.
O corpo de Delfim Simões foi retirado pelas 18h40 e transportado para a morgue de Tomar, onde será autopsiado. Um exame complementar permitirá confirmar se era ou não o pai do bebé, se as autoridades entenderem fazê-lo.
Quando o cadáver do homem foi encontrado, os familiares de Delfim Simões ficaram em estado de choque, o mesmo sucedendo com dezenas de populares, incrédulos com o rumo dos acontecimentos, lamentando as duas mortes na aldeia em tão curto espaço de tempo e nas circunstâncias em que ocorreram.
A mãe do recém-nascido foi ouvida ontem à tarde por um juiz do Tribunal de Ansião e ficou em prisão preventiva a aguardar o julgamento, indiciada da prática de um crime de homicídio qualificado. Nessa altura, antes do aparecimento do corpo de Delfim Simões, a Polícia Judiciária de Coimbra emitiu um comunicado onde revelava que estavam a prosseguir “diligências para o apuramento do eventual envolvimento de terceiros na prática do crime”.
A descoberta do cadáver do recém-nascido foi feita por acaso, por um popular, quando a GNR e os bombeiros procediam a buscas para localizar Delfim Simões, desconhecendo-se então as eventuais ligações entre ambos agora levantadas.
FAMÍLIA QUER AS CRIANÇAS
A família de Otilina Antunes vai pedir à Segurança Social para não colocar em instituições os seus três filhos menores. “Nós cuidamos deles e nada lhes vai faltar enquanto não se resolver este problema com a mãe”, diz o cunhado, Fernando Oliveira.
Otilina Antunes tem três filhos, de 8, 9 e 12 anos, que residem com a mãe, a avó materna e um tio. “Nós vamos pedir à Segurança Social e ao Tribunal para as crianças ficarem connosco e comprometemo-nos a tomar conta deles”, frisou Fernando Oliveira.
Em sua opinião, Otilina Antunes é “muito responsável” e uma “boa mãe. Para os miúdos é do melhor”.
“Quando as aulas estavam para começar, ela comprou os livros e o material escolar de que precisavam e também alguma roupa de Inverno”, contou o cunhado.
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