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Correio da Manhã

Portugal
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PAIS CONTESTAM SUSPEITAS DE VIOLAÇÕES ENTRE ALUNOS

Um grupo de pais escreveu um manifesto a negar as suspeitas de abusos sexuais na Associação Portuguesa de Pais e Amigos de Cidadãos Diminuídos Mentais (APPACDM) da Marinha Grande, que tem 58 alunos, a maioria com trissomia 21.
27 de Março de 2003 às 00:00
“Só quem não conhece a escola dos nossos meninos poderá acreditar que possam ter acontecido”, afirmam, referindo-se às três queixas por alegadas violações entre utentes que vieram a público, as duas últimas no fim-de-semana. Preocupados com as consequências deste caso, os pais decidiram recordar que a instituição “faz muita falta” e afirmam ter a certeza que os filhos “estão muito bem entregues”.

Segundo dizem, “é impossível” que os relatos das supostas vítimas, raparigas de 16 e 17 anos, sejam verdadeiros, dada a vigilância dos professores e demais funcionários e a estrutura do edifício, com espaços amplos e grande visibilidade.

“Não sabemos se as meninas foram violadas ou não, mas não acreditamos que tenha sido dentro da escola”, indicou Ana Cesarina Machado, uma das promotoras do manifesto, assinado por sete pais.

À semelhança da posição tomada pela direcção da APPACDM da Marinha Grande, os pais asseguram que “é quase uma regra” os jovens do sexo masculino com trissomia 21 não serem “sexualmente desenvolvidos”. Por isso, acham “estranho” o suspeito do primeiro caso a vir a público ser um rapaz de 21 anos com essa doença, também conhecida por mongolismo.

O manifesto expressa “indignação” e “profunda tristeza”, apelando a que “a justiça seja rápida” e o processo “não se arraste”. À escola, professores e auxiliares, os pais prestam “apoio e solidariedade”, pedindo que “não se deixem intimidar”.

Já os pais da primeira queixosa mantêm que vão ”levar o assunto até ao fim”, porque acreditam na filha, embora também defendam a instituição e continuem a acreditar na sua utilidade.

CRIANÇAS COM TRISSOMIA 21 SÃO SEXUALMENTE ACTIVAS

“São sexualmente desenvolvidos e não há nada de físico que os impeça de serem sexualmente activos”, diz a pediatra Mónica Pinto, presidente da Associação Portuguesa de Portadores de Trissomia 21, sobre os cidadãos que sofrem de mongolismo. “Nos rapazes a única diferença é que normalmente são inférteis”, mas “mantêm interesse pelo sexo oposto e actos de masturbação”, explica a médica, acrescentando que o mesmo vale para as raparigas, que são capazes de engravidar.

Segundo Mónica Pinto, apesar de inférteis, os rapazes são normalmente dotados. “Estão descritos casos de micropenia (pénis muito pequeno), mas não é frequente”, adianta. Quando a deficiência é mais profunda, eles e elas “mantêm o impulso físico”, mas não o racionalizam, não pensam numa relação ou namorado (a). A pediatra sublinha, porém, que o cenário de portadores de trissomia 21 serem violadores “é bastante improvável”.
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