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Correio da Manhã

Portugal
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PAIS CONTRA HOSPITAL

Os pais de quatro crianças mortas por pneumonia, na sequência de uma infecção com um vírus detectado no serviço de pediatria do Hospital de Guimarães, prometem que não vão "deixar morrer o caso facilmente" e garantem que irão recorrer a todos os meios possíveis, nomeadamente a via judicial, para responsabilizar os eventuais culpados.
2 de Abril de 2003 às 00:43
"Não dá para compreender o que se passou. A minha filha foi internada por causa de uma bronqueolite e acabou por morrer depois de quase um mês de internamento hospitalar por causa de pneumonia", queixou-se ontem Ana Paula Silva, de Santo Emilão, Póvoa de Lanhoso, confirmando a intenção de processar judicialmente a unidade hospitalar.
Confessando sentir "uma grande revolta", Ana Paula diz que ficou com a ideia de que, à sua bebé Sofia – que morreu com dois meses de idade –, "no Hospital de Guimarães não fizeram nada, limitando-se a manter a menina internada enquanto o estado de saúde se ia agravando, até que decidiram transferi-la para o Porto, onde foi feito um raio-X que revelou a gravidade da situação".
Os pais de uma outra criança – que morreu na semana passada e que ontem faria dois meses – garantem também que vão "pedir responsabilidades", aguardando os resultados da autópsia para avançar com uma acção em tribunal contra o Hospital Senhora da Oliveira.
Neste caso, os pais – residentes em Tagilde, Vizela – dizem que a filha foi internada devido a uma desidratação, acabando por morrer na quinta-feira, tal como aconteceu com a Sofia. Igualmente devido a pneumonia, um menino de três anos, residente em Guimarães, morreu no passado sábado.
A sequência de casos começou em Dezembro último, quando uma criança morreu numa unidade hospitalar do Porto, depois de ter estado internada no serviço de pediatria em Guimarães.
justificação
O presidente do Conselho de Administração do Hospital vimaranense, António Pinheiro, reconhece que nestes últimos quatro meses ocorreram no serviço de pediatria – onde está integrado a unidade de cuidados intensivos de neonatologia – "múltiplos casos de pneumonias, que nada têm a ver com a pneumonia atípica".
Apesar da maioria das situações ter sido resolvida através de tratamento clínico, "ocorreram quatro casos fatais de pneumonias em crianças de idades compreendidas entre mês e meio e três anos de idade".
António Pinheiro adianta que, em face do surto de infecções respiratórias, foi criada uma Comissão de Controlo de Infecção que concluiu existir uma infecção por Adenovirus, tendo sido "tomadas medidas rigorosas de prevenção e controlo". O trabalho de desinfecção terá sido concluído na passada terça-feira, dia 25 de Março.
No entanto, dois dias depois morreram duas crianças, registando-se novo caso fatal no sábado.
O director clínico do Hospital, Fausto Fernandes, explicou que estas últimas mortes terão acontecido por contaminações ocorridas anteriormente, sublinhando ainda que o período de incubação da doença é de 10 dias.
NÃO HÁ MOTIVOS PARA ALARME
Na sustentação para o recurso aos tribunais, os pais das quatro crianças que morreram nos últimos meses por pneumonia em Guimarães sublinham o facto do vírus causador das infecções respiratórias ter permanecido durante três a quatro meses na unidade de neonatologia do serviço de pediatria. Querem saber se o Hospital de Guimarães poderia ter evitado a permanência do vírus e se foram tomadas as precauções para evitar as contaminações. Fonte da administração do Hospital sublinhou que o recurso aos tribunais é um direito que assiste aos pais, mas declinou qualquer responsabilidade da unidade, remetendo para o comunicado do presidente do Conselho de Administração, onde se garante que "foram tomadas medidas rigorosas de prevenção e controle". Os responsáveis hospitalares referem também que, após as medidas correctivas e de desinfecção, "não houve participação de novos casos", assegurando "não haver motivo para alarme".
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