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Correio da Manhã

Portugal
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Pais e diretores contestam exames

Defendem foco na aprendizagem ao longo do ano.
Bernardo Esteves 15 de Junho de 2015 às 01:30
Mais de 260 mil alunos por todo o País começam hoje a fazer exames nacionais
Mais de 260 mil alunos por todo o País começam hoje a fazer exames nacionais FOTO: Ricardo Almeida

Começam hoje os exames nacionais do ensino secundário e as provas finais do 9º ano para mais de 260 mil alunos. Associações de pais e de diretores criticam o peso excessivo que é dado aos exames nacionais na sociedade portuguesa e admitem que também professores, escolas e famílias estão a ser avaliados.

"Um dos problemas da Educação é que estamos a colocar demasiado foco nos exames e não na aprendizagem e no trabalho desenvolvido ao longo do ano. Parece que estamos a treinar para uma competição. A sociedade só acende o holofote no momento do exame", afirmou ao CM Jorge Ascenção, da Confederação Nacional de Associações de Pais (Confap), considerando que "toda esta importância social do exame condiciona o trabalho das escolas e até já há trabalho específico para os exames, quando não deve ser essa a vocação da escola pública".

Filinto Lima, da Associação de Diretores de Agrupamentos e Escolas (Andaep), admite o mesmo problema. "Estamos todos muito focados nos exames, escolas, professores, alunos e famílias. No setor privado sempre aconteceu, no público está a acontecer agora. E vai do 4º ao 12º ano. Cria-se demasiada ansiedade", afirma.

O também diretor do Agrupamento Dr. Costa Matos (Gaia) defende outra fórmula. "Se o objetivo é ter sucesso, pegue-se nos 600 milhões de euros gastos por ano com as reprovações e invista-se no 1º ciclo, em turmas mais pequenas, em mais professores de apoio, mais psicólogos e mais assistentes operacionais", diz Filinto Lima. Para Jorge Ascenção, o facto de a nota do secundário ditar a entrada na universidade perverte o sistema de ensino, por isso, defende que sejam as instituições de ensino superior a fixar métodos de acesso.

"O ensino básico e secundário deve estar centrado nas aprendizagens e não preocupado com um exame que condiciona a vida futura dos alunos. Só os alunos com nota 19 podem dar bons médicos? Um aluno que tenha média de 12 não pode ser um bom arquiteto?", questiona o presidente da Confap.
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