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Correio da Manhã

Portugal
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Pais fecham escola

Estão unidos nos objectivos mas separados pela forma de acção. Todos querem mais segurança e mais funcionários na escola EB 2, 3 Humberto Delgado, em Santo António dos Cavaleiros, mas divergem nas medidas práticas.
2 de Janeiro de 2006 às 00:00
Na Escola Básica Humberto Delgado não há ninguém para vigiar os alunos
Na Escola Básica Humberto Delgado não há ninguém para vigiar os alunos FOTO: Mariline Alves
Segundo apurou o CM, um grupo de pais cansou-se de tanto esperar e decidiu fechar hoje a cadeado as instalações da escola, como forma de protesto contra a insegurança naquele estabelecimento de ensino. Para já, o encerramento “está apenas previsto por um dia, como pressão, mas pode prolongar-se” em função das reacções dos responsáveis.
A associação de pais quer resolver o problema com “moderação”. Os encarregados não estão com meias medidas e cumprem o prometido na última reunião de pais. “Ponham-se de fora e digam à DREL [Direcção Regional de Educação de Lisboa] e à comissão executiva que nós fechamos a escola. Lavem as mãos”, pediu há um mês Anabela Pais, mãe de um dos muitos alunos daquele estabelecimento, descontente com a “calma” com que estava a ser conduzido o processo.
Mário Silva, presidente da associação, explicou ao CM a posição daquele organismo. “Nós, enquanto associação de pais, não podemos tomar decisões de ânimo leve. Achamos que o encerramento só prejudicará os alunos.”
PROMESSAS PARA 2006
Segundo Mário Silva, o início de 2006 na E.B. 2,3 Humberto Delgado traz “novas aquisições”. “Temos informações da DREL sobre a entrada de três auxiliares de acção educativa em Janeiro.”
A vinda das três novas empregadas responde ao apelo feito pela associação de pais, contudo, as suas funções passam pela substituição de outras três funcionárias que estão de baixa. As contas são feitas pela própria associação de pais: “Na prática vamos passar a ter 18 auxiliares, mas em termos de trabalho mantêm-se as actuais 15”, que será o mesmo que dizer: “Mantém-se a insegurança que existe actualmente.”
A escola tem uma área vasta e apenas 15 auxiliares de acção educativa para assegurar as necessidades do edifício e da área envolvente. “Outro dia percorri todo o segundo piso da escola, na companhia do director de turma do meu filho, e não encontrei uma única funcionária em todo o andar”, explicou Teresa Nobre, membro da associação de pais.
Questionada pelo CM sobre como lidar com tamanhas dificuldades, uma das poucas auxiliares que se dispôs a falar desabafou: “Com muito esforço, isto são meia dúzia de gatos-pingados.”
MAUS EXEMPLOS
MEDO AFASTA
Um aluno foi retirado pelos pais da escola depois de um colega lhe ter partido os dentes com uma cadeira. Outro aluno ficou inanimado e roxo por lhe terem apertado o pescoço.
TUDO SE ROUBA
Sucedem-se os roubos de telemóveis e dinheiro. Alguns alunos chegam ao ponto de roubar comida aos mais novos.
POLÍCIA ACUSADA
Na última reunião de pais, os encarregados relataram que, devido a um desacato na escola, um polícia terá dado um estalo a um dos miúdos.
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